maio 01, 2006
consersa à quinta
resumo: no fundo a nossa conversa acho que rodou um bocado à volta do mercado de trabalho, focando a questão da função pública bem como da existência de recursos qualificados que são forçados a ter empregos não qualificados.
mais algumas questões soltas para pensarmos.
eu tenho como adquirido que, no global, nos últimos 20 anos (desde a entrada na CEE) não houve um eficaz aproveitamento dos recursos que nos foram disponibilizados, principalmente a nivel de educação acho que se investiu na massificação (mais escolas, mais cursos) e na facilitação (toda a gente passa de ano, toda a gente consegue entrar na universidade) e não houve um pensamento estratégico em relação a quais seriam os recursos humanos que o país ia precisar.
a conclusão lógica para mim é que agora há recursos de que o país simplesmente não precisa, seja porque são ultra-especializados, seja porque já existem em excesso.
o que fazer a esses recursos?
por um lado embora aceitando a responsabilidade do estado no sentido de não exercer o seu papel regulador e ter deixado criar dezenas de cursos que no fim não serviram para grande coisa, também me parece que há responsabilidade das pessoas (pais e alunos) por terem aceite e mantido um percurso de facilitismo. e o exemplo mais basico era aquela escolha que toda a gente fazia de ir para letras porque não tinha matemática... claro que é só um exemplo simplista e não representa todas pessoas sem trabalho.
mas voltando à questão do que fazer com esses recursos e vamos alargar um pouco mais o âmbito. não vamos falar só de recem licenciados mas também de trabalhadores cujos conhecimentos por alguma razão estão a deixar de corresponder às necessidades do mercado.
podemos olhar para este problema de duas perspectivas. o que é que essa pessoa pode fazer por si, ou o que é que os outros podem fazer por ela.
o que me pareceu na nossa conversa é que tu olhas para a questão do que os outros podem fazer pela pessoa de uma forma que não é passível de ser aplicada a todas as empresas. a ideia de que, uma empresa que tem um recurso que deixa de necessitar, deve/pode reciclá-lo de forma a utilizá-lo noutra função, é interessante mas, como todas as soluções que envolvem a componente humana e financeira, não é a solução única. algumas situações demonstram-no.
a mais simples é a pessoa não querer ser reciclada, qualquer que seja a sua fundamentação (sempre fez aquilo, tem formação especifica numa área e não quer mudar para outra, etc.).
outra é a empresa não ter essa nova função, ou seja, simplesmente diminui o seu volume de negócios ou reduziu o número/tipo de produtos/serviços prestados ou eventualmente eliminou alguma função existente na empresa (através da informatização de um serviço, reformulação de processos, etc.)
vamos no entanto assumir que uma empresa tem um recurso cuja actividade deixou de ser necessária, mas, quer essa pessoa quer a empresa querem continuar a colaborar juntos, e a empresa até tem uma nova tarefa para ela, mas tem que formar primeiro essa pessoa.
o principal entrave aqui será o do tempo que demora uma pessoa a adquirir novos conhecimentos. se esse tempo for financeiramente compativel com a disponibilidade da empresa então não há problema mas se calhar nem sempre é assim. quantas empresas é que têm disponibilidade financeira para tomar esta opção? todas? acho que não.
será que as chamadas microempresas (até 10 trabalhadores) têm a mesma capacidade que pequenas empresas (até 50 trabalhadores) e a mesma que médias empresas (até 250)?
para teres uma ideia, "Segundo dados fornecidos pelo INE, relativos a 1998, a dimensão média das empresas portuguesas é muito reduzida – 10,6 trabalhadores por empresa, valor que desce para 8 trabalhadores por empresa no caso das PME." (...) "representam 99,5% do tecido empresarial, geram 74,7% do emprego e realizam 59,8% do volume de negócios nacional." ( http://www.iapmei.pt/iapmei-faq-02.php?tema=7)
por isso é que quando me dizem "se essa pessoa não é necessária nessa função então vamos reciclá-la..." eu torço um pouco o nariz porque para mim essa é uma solução para uma percentagem pequena do problema. não estou a dizer que uma empresa não tenha uma responsabilidade social, mas também sei que nem toda a gente tem dinheiro para ser socialmente responsável. e digo "gente" propositadamente porque para mim uma empresa é um conjunto de pessoas que se juntam para fazer algo comum, aceitando responsabilidades em troca de direitos. não vejo, no geral, o dono de uma empresa como alguém que só quer explorar (negativamente) os seus colaboradores.
resta-nos então saber o que podemos fazer por nós... duas opções básica diria eu.
continuar a procurar melhores oportunidades na mesma localização geográfica, ou procurá-las noutro sitio. sabendo que a definição de melhores oportunidades vai variar muito consoante o tempo que andas à procura e a necessidade que tens de as encontrar.
Publicado por vitorsilva às 12:41 PM | Comentários (0)
abril 09, 2006
p2p pirataria musica portugal
pelos vistos o a indústria da música portuguesa sofreu uma quebra de 40% nas vendas/receitas. o culpado, talvez não o único mas sem duvida o principal foi, dizem-nos, a partilha de mp3. acredito que seja verdade.
há várias formas de abordar esta questão e parece-me que os principais interessados que são os artistas e a indústria como tal (se é que em portugal isso existe) estão a pegar pelo lado errado.
como eu vi escrito parece um paradoxo que hoje em dia nós tenhamos acesso a mais música do que alguma vez tivemos e no entanto o mercado enquanto distribuição do objecto fisico (cd, dvd, etc.) está a reduzir.
se esta conversa se estivesse a passar à 5 ou até à 3 anos poderiamos encarar a ideia que esta ideia de regulamentar a partilha de ficheiros era exequivel mas, pelo menos para mim, neste momento isso é completamente utópico. só vai servir para gastar recursos a combater um movimento que não é passível de ser parado... quanto muito poderemos conduzi-lo, direcciona-lo para algo mais realista no mundo actual, mas o melhor mesmo é olhar para esta questão como uma oportunidade.
para mim uma das principais questões é que o consumidor o que quer é a arte, isto é o produto do artista, neste caso a musica que ele produziu. ou seja toda a industria que se construiu com base na distribuição do objecto fisico não faz sentido existir. eu não vejo porque tenho que pagar pelo custo de produção do cd (materias-primas, transformação, distribuição, gestão de todo o processo). ou pelo menos não percebo porque tenho que pagar sempre isso. eu aceito que se quiser uma caixa com um cd lá dentro então vou ter que pagar mais... não sei se o que pago agora mas isso é outra história.
não faço ideia do que representa a industria musical em portugal enquanto distribuição de música, mas ainda há pouco tempo num debate sobre a obrigatoriedade de passar x% de musica nacional na rádio ouvia que o número de discos editados em português (e eu sei que estou a misturar um pouco estes dois temas) era minimo... não quero exagerar mas algo como menos de 200 e isto incluindo claro a chamada musica pimba e os tradicionais fadunchos, com isto a chamada pop/rock representava uns 10 ou 20% do total editado, ou seja uns 40 titulos de musica pop/rock em português... insuficiente diziam para manter uma rádio mainstream por exemplo.
a minha duvida... alguém acredita que só haja num dado ano 200 grupos ou artistas individuais a produzirem musica em português ou em portugal? será que o problema não é antes de tudo a dificuldade de capturar todo o conteúdo musical produzido em portugal?
e voltando à distribuição, será que o problema não é distribuir todo o conteúdo português ou produzido em portugal tendo em conta que somos um país pequeno e que por isso não consegue ter massa critica suficiente para conseguir ganhos de escala?
todas estas ideias vêm um pre-conceito meu que é o de que a verdadeira função das grandes multinacionais da musica, ou de qualquer empresa que se dedica no fim a vender cds não é... vender cds!
a sua verdadeira função é encontrar um artista, promovê-lo e explorar as diferentes facetas desse artista.
podem-me dizer mais uma vez que não temos mercado suficiente para tudo isso... não sei... tenho que saber qual é a estrutura de custos... mas eu pergunto-me que custos fixos para além da publicidade é que um editora precisa de ter?...
quer ter merchandising especifico para um artista? porque não usar algo tipo cafepress
quer ter uma divulgação institucional do artista? porque não criar uma entrada na wikipedia?
quer permitir um contacto directo artista / consumidor? porque não criar um blog, por as suas fotos no flickr e os seus videos no youtube?
em quanto é que vamos de custos? zero...
claro que estou a simplificar mas o meu ponto é a tecnologia está toda aí e vocês têm o conhecimento na área que vos vai ser mais importante e que é a comunicação!
descobrir talentos até pode ser mais simples, porque não ter um, dois, n sites para onde os potenciais artistas possam enviar demos? divulgar também pode ser fácil, porque não criar podcasts com programas interessantes! vocês até dominam a área audio!
a verdade para mim é que o sector como tal está totalmente sobredimensionado para o que o mercado lhe exige que é musica agora quando quero ouvir do grupo que me apetecer e claro, de borla. se eu quiser contribuir para o grupo (e claro que dificilmente quererei contribuir para uma multinacional que desconheço) vou ver os seus concertos e compro o seu merchandising para lá disso a única alternativa é deixar de consumir música e isso parece-me impossível.
Publicado por vitorsilva às 01:04 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 07, 2006
Emerging Telephony Keynote
podcast - http://www.itconversations.com/shows/detail978.html
é inspirador ouvir uma pessoa destas. na sua keynote na O'Reilly Emerging Telephony ele fala da sua visão do futuro no que diz respeito a serviços na rede.
pelo caminho fala da resistência à mudança que as empresas têm e de como alguns serviços que só agora estão a aparecer em força já estão disponiveis à muito tempo não tendo sido introduzidos por questões "políticas". a este respeito gosto particularmente do exemplo que dá sobre voip que já em 95 era uma realidade.
outra verdade chocante foi "network operators never introduced a single service the people wanted!" e exemplifica com o telegrafo, telefone fixo, etc... ou então os "toques personalizados" (ringtones), quem é inventou esse negócio... claro que não foram as grandes empresas.
depois a ideia das imagens no telemovel... cool agora as pessoas tiram fotos e enviam um mms com essa foto para outras pessoas e nós ganhamos com isso. mas isso era se não tivessemos também o bluetooth ou afins e não pudessemos usar essa rede adhoc sem custos para nós consumidores.
achei fantástico ouvir alguém dizer isto porque desde a rápida loucura do wap que eu tenho para mim que a forma como os operadores de telemovel estão a explorar o negócio de ligação à internet via telefone é totalmente errada. mas claro esta é uma ideia preconceituosa e que não está actualizada em relação às actuais propostas de mercado, embora anuncios como "agora pode ter o messenger no telemovel" ou "verifique o seu mail no telemovel" me deixem ficar com a ideia de que ainda se continua a insistir em filtrar o tipo de acesso que podemos ter via estes operadores... porque não simplesmente "aceda a toda a internet e os seus serviços através do seu telemovel a um preço ligeiramente superior ao da sua ligação adsl"!
mais info aqui
Publicado por vitorsilva às 12:04 AM | Comentários (0)
abril 06, 2006
pirataria audio
a proposito desta noticia
Music industry unleashes more Europe lawsuits deixo para já um titulo que vinha numa revista:
"Music industry unleashes more European lawsuits - Lawsuits are easier than adapting."
e uma afirmacao que ouvi num podcast
"the music industry spent 300 million dolars trying to convince people to stop copying tapes, then spent another 300 million trying to stop copying cds and now more than that with mp3"
Publicado por vitorsilva às 10:32 AM | Comentários (0)
abril 05, 2006
horário comércio
parece que há coisas que nunca mudam e esta história dos horários do comércio é uma delas.
por um lado ouvimos frequentemente os representantes do comércio tradicional dizer que estão a ficar sem clientes, por outro exigem que todo o comércio esteja fechado ao domingo.
será que ainda não perceberam que eu, que trabalho todos os dias entre as 9 e as 19, não tenho tempo para passar pelas suas lojas durante a semana (porque estão fechadas à noite) e que preferia dividir essas visitas pelo sábado e domingo em vez de ter que apanhar com todas as outras pessoas que ao sábado de manhã andam à s compras?
porque não fechar um dia a meio da semana? ou então alterar o horário semanal de forma a estarem abertos quando os consumidores estão disponiveis e não quando os consumidores estão a trabalhar?
tentar definir o horario do comercio a partir da definição normal do horario de trabalho tipico de um funcionario (8h-19h) é no minimo falta de visão.
no entanto não se pense que é só cá em portugal que há esta visão de que o consumidor o que quer é ir passear para o parque ao domingo
pelo que vi no site da ccp (Horário do Comércio na Europa) no resto da europa também há exemplos destes.
como consumidor o meu mix favorito seria
seg-sex - um qualquer horario de abertura e fecho ás 20h estando aberto á hora do almoço
sab-dom - sempre aberto
e acho que a formação das regras para o horário do comércio deviam começar deste pressuposto, o que o consumidor quer. porque somos nós que garantimos a existência desse comércio e porque somos mais do que os trabalhadores e investidores no comércio.
tendo isto como base, depois partiriamos então para a conjugação destes horários com regras justas quer para os funcionários quer para os investidores.
Publicado por vitorsilva às 09:22 AM | Comentários (0)
dezembro 29, 2005
politiquices
interessante argumento do ministro da economia para justificar o aumento de 1,5% como o estado se tem que comprometer a manter o nº de funcionarios (ou seja nao os pode despedir), a margem de manobra para aumentos é minima. por outras palavras, se querem ganhar mais despeçam-se e vão para o sector privado. parece-me que o ministro ouviu o belmiro de azevedo que aqui há uns tempos dizia que o estado devia reduzir o numero de funcionários... não despedindo-os mas convidando-os a sair. ...se esta tendencia se mantiver parece-me um bom convitePublicado por vitorsilva às 09:02 AM | Comentários (4)
setembro 15, 2005
notas
as empresas deixaram de ter um papel social para passarem a ser máquinas de fazer dinheiro
só assim se explica o fenómeno da deslocalização
produz-se para vender e não para satisfazer uma necessidade
Publicado por vitorsilva às 10:06 PM | Comentários (2)
setembro 14, 2005
must read
Coming Soon: Autonomous Nano Code Generators
nano code generator generates a small fragment of code. For example, you might have a single generator that simply generates a conditional test. An autonomous, nano code generator would contain both the metacode for generating the desired output and the logic for deciding whether the code should be generated. Nano code generators could write small, whole fragments based on simple logical conditions: If A then B, where the predicate condition A must exist before the code B is emitted.
Then, in successively larger and more complex aggregate relationships, molecular assemblers could be designed. These assemblers could collaborate as temporal, cohesive smart mobs to solve algorithmic problems or be composited further to solve problems of increasing complexity and scale. For this to work, generators would have to be created from generatively larger and more complex rules of collaboration and orchestration.
Publicado por vitorsilva às 09:18 AM | Comentários (0)
dezembro 23, 2004
Pegada Ecológica
obrigado rita pela sugestão
"A Câmara Municipal de Almada tem no site que envio em baixo, um questionário sobre a Pegada Ecológica. É uma forma de vermos como as nossas acções influenciam o ambiente, qual a "pegada" que deixamos pelo nosso estilo de vida. Vale a pena reservar alguns minutinhos neste questionário"
http://www.m-almada.pt/pegada/index.php
Publicado por vitorsilva às 12:47 PM
outubro 04, 2004
kick-off?
será que é o inicio de uma nova tendência? espero bem que sim.
ainda há poucos meses tinha ouvido falar num estudo que colocava de novo a energia nuclear em cima da mesa no que diz respeito a alternativas aos combustiveis fosseis. seria um erro monumental na minha ignorante opinião, mas felizmente que há países interessados em verdadeiras soluções como as energias alternativas e não em pseudo-soluções que tirando o problemazito menor dos residuos nucleares é fantástica a nível de rendimento e eficiência energética.
obrigado suécia.
Suécia vai encerrar segundo reactor nuclear em 2005
"Depois de um referendo de 1980, a Suécia decidiu suprimir os seus doze reactores nucleares, distribuídos por quatro centrais, até 2010. Este objectivo foi abandonado em 1997 porque os responsáveis governamentais reconheceram que não teriam fontes de energia suficientes para a substituição.
Hoje, o Governo social-democrata minoritário no poder anunciou ter concluído um acordo sobre o reactor número 2 de Barsebaeck com os partidos do centro e de esquerda.
"Pensamos que a Suécia, no longo prazo, reunirá a totalidade do seu fornecimento de energia a partir de fontes renováveis", afirmaram os três partidos numa declaração comum.
Para substituir o nuclear, o Governo pretende promover as energias eólica, hidráulica, solar e de biodiesel. O gás natural será utilizado durante um período de transição."
Publico
Publicado por vitorsilva às 07:14 PM
agosto 05, 2004
utopias
e se fosse obrigatório a todos os prédios garantirem que a electricidade usada em equipamentos comuns (iluminação, sistemas de rega, etc) fosse obtida a partir de fontes de energia renováveis?
e se as autarquias também tivessem que garantir que por exemplo a energia usada para iluminação pública tinha sido obtida por exemplo a partir de paineis solares?
não eram passos pequeninos e exequiveis para um desenvolvimento sustentável?
Publicado por vitorsilva às 12:23 AM
junho 06, 2004
direitos
Penso que foi no livro “no logo” que me apercebi do potencial conflito entre dois direitos fundamentais e que estão impressos na nossa constituição: o direito à propriedade privada (art. 62) e o direito de reunião e manifestação (art. 45), capacidade civil, (...) cidadania (art. 26).
A questão punha-se quando era necessário avaliar qual o direito que se iria defender quando por exemplo alguém decidia manifestar-se contra um ex-empregador em frente à sua loja num shopping e era impedida pela segurança interna desse shopping.
De uma forma muito simples a pergunta é: será mais importante a propriedade privada que (embora não venha definido na constituição deve ser algo como isto) permite a uma pessoa dispor de algo que é seu como muito bem lhe aprouver; ou será mais importante salvaguardar o direito de manifestação e cidadania?
É uma pergunta complicada à qual eu não tenho resposta, apenas opinião... não sou especialista na matéria e gostava que mais alguém se pronunciasse.
Vem isto a propósito do texto impresso no verso dos bilhetes do euro: “é proibido no estádio e imediações usar, possuir, segurar, oferecer para venda, quaisquer materiais políticos, promocionais, comerciais ou objectos perigosos (...).”
Se eu percebo que não convém andar a distribuir objectos perigosos e até admito que a venda de outros objectos promocionais ou comerciais possa ser restringida já que naturalmente aquele espaço é um espaço fundamentalmente com uma função comercial (ainda há alguém que ache que é só pelo desporto-rei que se investem milhões na bola?) não consigo perceber porque razão eles têm o direito de restringir um dos meus direitos individuais fundamentais: a manifestação de opiniões políticas.
Parece-me que entre estes dois direitos, aqueles que deveriam prevalecer deveriam ser os referentes às liberdades de expressão na medida em que reflectem algo que é mais intrínseco ao ser humano, isto é a sua capacidade de análise e formulação de opiniões, aliás tal como vem expresso na declaração universal de direitos humanos logo no primeiro artigo: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais e dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”
Embora não tenha nenhuma teoria capaz de suportar isto parece-me de óbvio senso comum a defesa de que o direito à liberdade de expressão precede e portanto deve predominar sobre o direito à restrição destas capacidades por via da propriedade privada.
Porque razão não posso ir ao jogo inaugural do euro com uma bandeira onde em vez de dizer “Força Portugal” (hmm... será que me iam deixar entrar... afinal de contas é o slogan do PSD) dizia por exemplo “Obrigado Bush”?
Publicado por vitorsilva às 12:07 PM
abril 27, 2004
Instituições Europeias 8/8
O Comité das Regiões é outro comité de natureza consultiva, composto por representantes das colectividades regionais e locais. Exprime, a nível europeu, os interesses das regiões. A sua composição é idêntica à do Comité Económico e Social.
Publicado por vitorsilva às 09:43 AM
abril 22, 2004
Instituições Europeias 7/8
O Comité Económico e Social, composto por representantes das diversas categorias de interesses económicos e sociais, formula pareceres consultivos para as instituições, nomeadamente no âmbito do processo legislativo.
O Tratado de Nice precisa que o Comité deve ser composto por representantes das diversas componentes da sociedade civil organizada. O número de membros do CES foi limitado a um máximo de 350, o que permite manter o mesmo número de lugares de que dispõem actualmente os Estados-Membros, que no caso de Portugal, são 12 lugares.
in "As Instituições e Órgãos da União Europeia"
Publicado por vitorsilva às 10:00 AM
abril 21, 2004
Instituições Europeias 6/8
O Tribunal de Contas assegura o controlo das contas da Comunidade: examina a legalidade e a regularidade das receitas e despesas do orçamento comunitário e garante a boa gestão financeira. Actualmente, o Tribunal de Contas é composto por quinze membros, nomeados pelo Conselho deliberando por unanimidade, por um período de seis anos, renovável. Estes quinze membros dirigem as actividades de controlo dos agentes do Tribunal de Contas e elaboram relatórios e pareceres.
O Tratado de Nice estabeleceu que o Tribunal de Contas será composto por um nacional de cada Estado-Membro. Estes membros serão nomeados pelo Conselho por maioria qualificada, e já não por unanimidade, para um mandato de seis anos.
in "As Instituições e Órgãos da União Europeia"
Publicado por vitorsilva às 10:40 AM
abril 20, 2004
Instituições Europeias 5/8
O Tribunal de Justiça assegura o respeito do direito comunitário. As suas competências abragem os litígios entre os Estados-Membros, a União e os Estados-Membros, entre as instituições e entre os particulares e a União. Tem também competência para responder a questões de interpretação do direito comunitário colocadas por um tribunal nacional, no âmbito de um litígio pendente nessa instância. Esta última competência, "prejudicial", é essencial para assegurar uma interpretação uniforme do direito comunitário em toda a União.
Paralelamente ao Tribunal de Justiça foi instituído, em 1989, um Tribunal da Primeira Instância, encarregado de exercer, em primeira instância, algumas das competências conferidas ao Tribunal de Justiça.
in "As Instituições e Órgãos da União Europeia"
Publicado por vitorsilva às 12:51 PM
abril 18, 2004
Instituições Europeias 4/8
A Comissão foi criada para representar, com toda a independência, o interesse europeu comum a todos os Estados-Membros da União. No domínio legislativo, a Comissão é o motor: propõe as "leis", que são depois transmitidas ao Parlamento Europeu e ao Conselho para decisão.
A Comissão assegura a aplicação das políticas comuns (como a política agrícola comum, por exemplo), executa o orçamento e gere os programas comunitários. Para a execução concreta das políticas e programas comunitários, a Comissão apoia-se largamente nas administrações nacionais.
No plano exterior, a Comissão representa a Comunidade e conduz as negocioções internacionais (por exemplo, as negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio - OMC). Por último, a Comissão vela pela aplicaçao boa aplicação das disposições do Tratado e das decisões das instituições comunitárias, por exemplo no domínio da concorrência.
A Comissão é responsável colegialmente perante o Parlamento Europeu. As suas decisões são tomadas por maioria simples dos seus membros.
Desde o início, a Comissão foi sempre constituída por dois nacionais dos Estados-Membros com maior população e por um nacional de cada um dos outros Estados-Membros.
in "As Instituições e Órgãos da União Europeia"
Publicado por vitorsilva às 07:00 PM
renovação toponimica
A camara do porto começou a renovar as placas toponímicas das ruas da cidade.
Acessório normalmente esquecido mas que é de grande importância para quem chega a uma cidade que não conhece ou mesmo para quem vivendo nessa cidade não conhece os nomes das ruas.
Os requistos fundamentais deste tipo de peça são, para mim, a (óbvia) 
identificação do local (arruamento, praça, etc.), a fácil localização da placa informativa por quem a procura, facilidade de leitura, para além de outros como resistência do material ao passar dos anos (já que pelo que vemos nas placas antigas, é algo que não irá ser substituido nos proximos largos anos).
Infelizmente acho que a opção adoptada não responde minimamente as requisitos que apontei. Tirando a identificação propriamente dita e que ainda 
inclui alguma informação util sobre o nome do local (por exemplo rua do almada - governador do porto do sec xvii) e a eventual resistência do material (que não posso avaliar) tudo o resto é sofrível.
em relação à facilidade de localização da placa, embora ela esteja onde esperamos que esteja uma placa toponimica, a cor optada não permite uma fácil distinção deste elemento do que a rodeia. percebe-se a opção pela cor verde, afinal é a cor da bandeira do município, mas o facto do porto ser reconhecidamente uma cidade escura não facilita sequer a verificação rápida da existência dessa placa.

por outro lado a opção por uma tipografia serifada, se bem que transmita uma maior dignidade à placa, ainda mais com o verde e os apontamentos de dourado/castanho que aparecem no topo da placa e na descrição do local, não me parece a melhor escolha na medida em que o tamanho com que essa tipografia é utilizada é tão pequeno que a placa quase não tem leitura para quem anda a pé (experimentem estar do outro lado da rua) quanto mais para quem vai de carro e ao mesmo tempo que procura pela placa, a tenta ler e perceber o que lá diz, tem que estar atento ao trânsito.
resumindo, parece-me uma oportunidade perdida para melhorar a nossa cidade.
Publicado por vitorsilva às 06:39 PM
abril 17, 2004
Instituições Europeias 3/8
O Conselho é a instituição da União em que estão representados os governos dos Estados-Membros. Juntamente com o Parlamento Europeu, é o legislador comunitário e um dos dois ramos da autoridade orçamental. É a instituição preponderante em matéria de decisões no domínio da Política Externa e de Segurança Comum e de cooperação policial e judiciária em matéria penal.
O Conselho é constituido por um representante de cada Estado-Membro a nível ministerial (por exemplo, os ministros da Agricultura no que se refere ao Conselho que deve tomar decisões no domínio da política agrícola comum).
É presidido pelo ministro do Estado-Membro que assegura a presidência da União.
Todos os Estados-Membros da União exercem essa presidência durante seis meses, de acordo com um ordem pre-estabelecida.
in "As Instituições e Órgãos da União Europeia"
Publicado por vitorsilva às 02:59 PM
abril 16, 2004
Instituições Europeias 2/8
O Parlamento Europeu é a instituição em que estão representados os cidadãos dos estados-membros. Em muitos domínios o Parlamento tem um papel de co-legislador (paralelamente ao Conselho). Juntamento com o Conselho é igualmente a autoridade orçamental. Exerce o controlo político da Comissão.
Os deputados do Parlamento Europeu, eleitos por sufrágio directo desde 1979, não estão agrupados em delegações nacionais, mas em grupos políticos.
De acordo com o tratado de Nice, Portugal tem 22 lugares no PE. Tantos como a Bélgica e Grécia, pouco menos que os Países Baixos (25) e pouco mais que a Suécia (18) e Áustria (17). A Polónia será dos novos estados-membros aquele que irá ter direito a mais lugares (50 lugares).
No final de todas as adesões, o Parlamento Europeu terá 732 deputados.
in "As Instituições e Órgãos da União Europeia"
Publicado por vitorsilva às 02:19 PM
abril 15, 2004
Instituições Europeias 1/8
Parlamento Europeu
Conselho
Comissão
Tribunao de Justiça
Tribunao de Justiça
Tribunal de Contas
Comité Económico e Social
Comité das Regiões
Publicado por vitorsilva às 02:18 PM
janeiro 30, 2004
modernaço
certamente um regresso às origens o "separador" que apareceu n'a dois na quarta-feira.
faz parte do imaginário da nossa geração (dos bloguistas de serviço pelo menos) aquela mensagem singela que de quando em vez aparecia, normalmente quando ia começar o nosso programa favorito, segundo a qual, por motivos técnicos o programa tinha sido interrompido mas não se preocupem porque a emissão segue dentro de momentos e que foi até motivo para um sketch (ou squeteche na nova grafia) do herman (na altura em que ele ainda tinha piada e que só a nossa geração conhece)
o programa segue dentro de momentos
o momento segue dentro do programa
dentro do programa segue o momento
segue o momento dentro do programa
etc.
claro que os tempos são outros e sinal disso...

somos forçados a iMterromper a emissão
assim com m e tudo... já dizia a lenga-lenga que aprendi nos idos de 81, antes de pê ou bê é sempre mê.
Publicado por vitorsilva às 12:47 PM
janeiro 29, 2004
hipocrisia
o vaticano disse hoje que acha que as empresas farmaceuticas estão a provocar um genocídio por manterem os preços dos medicamentos contra a sida muito elevados...
Publicado por vitorsilva às 02:15 PM
janeiro 26, 2004
olhar enviezado
sinal dos tempos talvez, mas porque é que toda a gente fica perplexa com o facto de os jogadores do benfica e do guimarães terem ficado completamente transtornados com o que viram? ou porque é que causa tanta admiração as claques se terem juntado em unissono a gritar pelo feher? ou porque é que se sente algum constrangimento na voz do olegário benquerença quando ele admite que sim... por 2 ou 3 segundos pensei que ele estivesse a fazer fita.
não é normal? não é aceitável? fez alguma diferença? vai fazer mudar alguma coisa?
como disse o apresentador da sic são 21.13 e ontem a esta hora miklos feher ainda estava vivo.
Publicado por vitorsilva às 09:10 PM
janeiro 25, 2004
as vantagens de ser patrão.
eu nem pergunto que incentivo o estado dá para cada um de nós criar o seu posto de trabalho, já só queria que não me criassem dificuldades e entraves estúpidos.
este desabafo por algumas razões, sendo a principal uma coisa que de cada vez que penso nela me deixa f*d!d*.
eu pelo facto de ter tido a infeliz ideia de criar uma empresa, para além dos gastos fantasticos com burocracia acho extraordinário nao ter direito a subsidio de desemprego no caso de a empresa dar o berro... o que nos tempos que passam quando toda a gente fica a dever a toda a gente é algo infelizmente previsivel...
isto porque sou socio-gerente!!! uau que espectaculo... socio-gerente... tasse mesmo a ver que o socio-gerente é aquele gajo cheio de nota que vive dos rendimentos, não paga um tusto de impostos e certamente se fecha uma empresa é porque ficou dever dinheiro a alguém.
se alguém me conseguir explicar a razão disto fico muito agradecido
esta mensagem também foi publicada aqui (http://www.bloco.org/forum/viewtopic.php?t=72)... a ver se alguém me responde
Publicado por vitorsilva às 06:24 PM
agosto 03, 2003
Publicidade
sou eu que estou a ficar muito esquisito ou a mediocridade média do país que começou nas pimbalhadas musicais entrou na tv via big show e que rapidamente infectou todas as estações incluindo programas supostamente mais interessantes do género dos telejornais também já afecta a publicidade portuguesa?
se calhar o discurso para determinado público alvo tem que ter uma qualidade bem rasteirinha ao chão mas é pena que não se tente melhorar a qualidade dos anúncios que nos impingem. assim temos desde o anúncio sexualmente obsceno (Metz em todo o lado) ao moralmente obsceno (portugal precisa e precisará sempre de bons professores e muitos!- instituto piaget) com um discurso prosaico (jansen. prove. vai ver que gosta), ou prosaicamente infantil (kit netcabo, quem não tem está out) ou entao o clássico dos clássicos pegando no manual de bem fazer piadas do herman/produções ficticias (rad, um sumo com tomates).
já que neste blog se fala de retros e afins venham de novo anúnicios do género do homem da regisconta ou da picadora 123 moulinex e deixemo-nos destas merdas.
Publicado por vitorsilva às 02:52 PM
julho 25, 2003
Sobre o FCP
"...Não é uma máquina de jogar futebol: as máquinas funcionam sempre da mesma maneira, muito certinhas. Não é uma orquestra clássica: as orquestras clássicas também tocam sempre da mesma maneira, muito certinhas. o FC Porto é uma dixielanda, torrencial, cheia de improvisos, deliciosamente imperfeita, tocando ao vivo, levantando a multidão em cortejo como se estivessem todos em New Orleans. O FC Porto é uma delícia e é uma loucura."
Joel Neto
Grande Reportagem Julho 2003
Publicado por vitorsilva às 11:06 AM
junho 30, 2003
Marc-Vivien Foé, protecção à intimidade e a nossa televisão
Acho que todos nós ficamos chocados com a morte de viven foé. Porque era uma pessoa com a nossa idade, porque era um desportista, e porque morreu no meio de um campo de futebol.
E mais chocados ficamos quando temos que ver essas imagens na televisão! pode parecer estranho que se fale em protecção da intimidade de uma pessoa que participa num evento que está a ser visto num estadio com varias dezenas de milhar de pessoas ou pela televisao por mais uns milhoes mas a verdade é que se a morte de uma pessoa não é um dos seus momentos mais intimos entao o que será? claro que por outro lado este é também aquele momento que as televisões ainda nao conseguiram levar para dentro de um formato bonitinho e bem acondicionado para mostrar às pessoas... afinal já temos os big brothers com o dia-a-dia e o inicio de novas vidas :) só falta mesmo ver alguem morrer.
tudo bem que na emissão em directo se mostre uma ou outra imagem mais chocante, não só porque as coisas acontecem na hora mas também porque é mais dificil controlar o irresistivel apelo pelo voyeurismo, mas como explicar que imagens dessas passem repetidas vezes no jornal das oito?
é a merda de jornalismo que infelizmente vamos tendo.
Publicado por vitorsilva às 09:36 PM
junho 29, 2003
interessante iniciativa que a ordem
interessante iniciativa que a ordem dos arquitectos está a levar a cabo com visitas a bons exemplos de arquitectura contemporânea portuguesa, este fim-de-semana foi na maia, mas já passou por vila real, vai estar em viseu e para a semana é em moledo, nada como aproveitar para ir à praia e ao mesmo tempo ficar a conhecer um pouco mais do nosso pais.
aproveitem portanto esta iniciativa que decorre no ano nacional da arquitectura.
mais detalhes
Publicado por vitorsilva às 11:45 PM
mais uma reflexao da treta
como é q havemos de conseguir vender a alguém a ideia de que têm q apostar na imagem da sua empresa, num design cuidado, estratégia de comunicação e essas mariquices todas quando coisas tão banais como por exemplo os sinais de transito são essencialmente encarados como decoração da rua, quase uma peça de mobiliário urbano, sem função aparente q não a de servir para pendurar uns cartazes durante as campanhas ou para os feirantes prenderem as suas barraquitas de venda.
Publicado por vitorsilva às 12:00 AM