maio 01, 2006

estatisticas

Expresso 29-abr-06 - crónica Miguel Sousa Tavares - Será Portugal governável
"há dez anos que estamos a divergir da UE e continuaremos assim, pelo menos, mais quatro anos; o crescimento do PIB (0,5%) é o mais baixo de toda a zona europeia; em 2005, a produtividade cresceu 0,4% e os salários 2,8%; a despesa pública cresceut 7% e o número de funcionários públicos continuou a aumentar"

Expresso 29-abr-06 - Portugal lidera na pobreza
"Portugal é o país da Europa onde se regista a pobreza mais extrema, segundo o World Development Report do Banco Mundial,..."

Expresso 29-abr-06 - Portugal deve muito dinheiro
Portugal é o décimo país mais endividado do mundo segundo o FMI. (...) Em relação a 2004, Portugal conseguiu melhorar três posições.

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abril 07, 2006

Emerging Telephony Keynote

podcast - http://www.itconversations.com/shows/detail978.html

é inspirador ouvir uma pessoa destas. na sua keynote na O'Reilly Emerging Telephony ele fala da sua visão do futuro no que diz respeito a serviços na rede.
pelo caminho fala da resistência à mudança que as empresas têm e de como alguns serviços que só agora estão a aparecer em força já estão disponiveis à muito tempo não tendo sido introduzidos por questões "políticas". a este respeito gosto particularmente do exemplo que dá sobre voip que já em 95 era uma realidade.
outra verdade chocante foi "network operators never introduced a single service the people wanted!" e exemplifica com o telegrafo, telefone fixo, etc... ou então os "toques personalizados" (ringtones), quem é inventou esse negócio... claro que não foram as grandes empresas.
depois a ideia das imagens no telemovel... cool agora as pessoas tiram fotos e enviam um mms com essa foto para outras pessoas e nós ganhamos com isso. mas isso era se não tivessemos também o bluetooth ou afins e não pudessemos usar essa rede adhoc sem custos para nós consumidores.
achei fantástico ouvir alguém dizer isto porque desde a rápida loucura do wap que eu tenho para mim que a forma como os operadores de telemovel estão a explorar o negócio de ligação à internet via telefone é totalmente errada. mas claro esta é uma ideia preconceituosa e que não está actualizada em relação às actuais propostas de mercado, embora anuncios como "agora pode ter o messenger no telemovel" ou "verifique o seu mail no telemovel" me deixem ficar com a ideia de que ainda se continua a insistir em filtrar o tipo de acesso que podemos ter via estes operadores... porque não simplesmente "aceda a toda a internet e os seus serviços através do seu telemovel a um preço ligeiramente superior ao da sua ligação adsl"!

mais info aqui

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março 17, 2006

myware

Um comentário a um comentário é sempre uma coisa perigosa, mas aqui vai.

http://devhawk.net/2006/03/08/Felix+Miller+On+The+Musical+Myware.aspx

"Felix was also making a more meta point which was where the name of the talk came from. He's talking about myware as a play on spyware. The idea is to "spy" on yourself in an unobtrusive manner and then use that collected information to help you sometime in the future - in this case help you find new music by spying on your music playing habits. There's major privacy concerns of course, but the idea is pretty interesting."

esta ideia é fantástica. toda a gente se preocupa com o facto de outras entidades terem informação sobre nós (basicamente toda a gente que tenha acesso ao nosso extracto bancário ou a alguma rede publica de camaras de vigilância) e principalmente com o facto de não fazermos ideia do que elas fazem com isso... mas é outra história se somos nós a dizer que informação queremos tornar disponivel e eventualmente que tipo de operações nos parece que sejam aceitaveis de fazer com essa informação...
é quase como ter um gémeo que tem como unica tarefa decorar tudo aquilo que fizemos, estar atento a tudo o que acontece e dar-nos dicas sobre possiveis actividades relacionadas... cool

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janeiro 16, 2006

Gallery of Data Visualization

http://www.math.yorku.ca/SCS/Gallery/

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janeiro 09, 2006

information aesthetics

http://infosthetics.com/

http://www.lukew.com/ff/
Functioning Form - Interface Design Blog

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dezembro 28, 2005

Utilitarismo

"A versão mais plausível de utilitarismo a que conseguimos chegar é uma versão de utilitarismo das preferências - combinado com o eudemonismo - de acordo com a qual uma acção é correcta se, e só se, previsivelmente maximizar a satisfação total, minima e média das preferencias de todos os seres que presentemente existem, ou poderão vir a existir."
in Utilitarismo, Gradiva, p.27

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dezembro 26, 2005

cool stuff

http://www.milezero.org/index.cgi/music/tools/excel/drumpad_xls_alpha.html
Excel Drum

http://www.galerie-photo.com/roto-pinhole.html
Roto-Pinhole

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dezembro 08, 2005

matemática

A Matemática em Portugal
An overview of the history of mathematics

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outubro 17, 2005

Dicionário Transmontano

http://www.bragancanet.pt/cultura/vocabulario/

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outubro 10, 2005

futuro

The Vision and Reality of Wearable Computing
http://www.wearable.ethz.ch/vision.0.html
Mobile Phone As Home Computer
We Are the Web
The Netscape IPO wasn't really about dot-commerce. At its heart was a new cultural force based on mass collaboration. Blogs, Wikipedia, open source, peer-to-peer - behold the power of the people.
make your own wearable LED display
TURNTABLISTPC Computer/Turntable hybrid
Cardiomyocyte art

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outubro 06, 2005

User Expectations in a World of Smart Devices

User Expectations in a World of Smart Devices

This, in turn, raises several questions for experience designers:
Under what circumstances do people trust or mistrust objects? Do the walls really have ears? If I sit on that park bench, will it tell my student loan officer how much money is in my pocket?
What kinds of communication between objects are appropriate, acceptable, or desired? I want my sandals to tell my fridge if I’ve walked off last night’s pizza so that I know whether to have a salad or a sandwich for lunch. However, it may not be desirable for them to report my whereabouts to every poster I pass on the street. Thus, designing for systems of objects will be very different than merely designing for object interoperability.
What functions will naturally cluster to form new kinds of common objects? Cameras and phones have already begun to merge with each other and with instant messaging clients, but their integration with electronic notepads (in the form of PDAs) seems a bit more dubious.
How will design communicate the functionality of objects? As we move from general-purpose smart devices to ones that solve specific problems, how will devices tell us what they do? The Nikon Coolpix digital camera announced through its split and twistable camera body that it was a very different kind of camera than the film cameras the company had made before, even though the device was entirely conventional otherwise.
How will object intelligence play in terms of the desirability of objects? Industrial design has been very busy the last couple of years giving everyday objects “personality” through appearance. What happens when they can actually mimic personality itself? Where is the line between cute and cloying (for a given target audience, of course)?

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outubro 05, 2005

receitas fruta

compota de maçã

Geleia de Maçã

Peras em Calda

Uvas em Calda

Uvada

Compotas

Geleia de Hortelã

Compota de Maçã

licor basico de frutas

jeropiga

JEROPIGA E O FOLCLORE

Jeropiga

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outubro 04, 2005

Moodle Documentation

Moodle Documentation > Philosophy

4. Connected and Separate
This idea looks deeper into the motivations of individuals within a discussion. Separate behaviour is when someone tries to remain 'objective' and 'factual', and tends to defend their own ideas using logic to find holes in their opponent's ideas. Connected behaviour is a more empathic approach that accepts subjectivity, trying to listen and ask questions in an effort to understand the other point of view. Constructed behaviour is when a person is sensitive to both of these approaches and is able to choose either of them as appropriate to the current situation.

In general, a healthy amount of connected behaviour within a learning community is a very powerful stimulant for learning, not only bringing people closer together but promoting deeper reflection and re-examination of their existing beliefs.

Publicado por vitorsilva às 09:10 AM | Comentários (0)

outubro 03, 2005

Cooking For Engineers

http://www.cookingforengineers.com/

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julho 26, 2005

Orb

Using Orb
Whether you're using your mobile phone, PDA, or laptop, Orb is simple to use. After installing Orb Media on your home PC:
1. Open Orb on your Web-enabled device (mobile phone, PDA, laptop, remote PC).
2. Login and select your media (TV, Photo, Audio, Video, Web).
3. Orb streams your selection from your home PC.

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julho 25, 2005

disruptive

http://www.locusplus.org.uk/biotech_hobbyist
The Biotech Hobbyist collective includes a multi-disciplinary group of [media] artists, scientists, engineers, activists, and cultural theorists that is dedicated to working with biotechnology in a creative and critical way. Exploring the idea of 'garage biotechnology' - a hybrid based upon the 'garage computing' movements of the 1970s, the Biotech Hobbyist project aims to encourage an ethical engagement with biotechnology in the non-specialist public.

http://www.smartmobs.com/
A Website and Weblog about Topics and Issues discussed in the book Smart Mobs: The Next Social Revolution by Howard Rheingold

http://www.iowathinfilm.com/products/rollableseries/index.html
PowerFilm® Rollable Solar Powered Battery Chargers


Publicado por vitorsilva às 10:57 PM

março 20, 2005

My one and only love

The very thought of you makes
My heart sing,
Like an April breeze
On the wings of spring.
And you appear in all your splendor,
My one and only love.
The shadow's fall ans spread their
Mystique charms in the hush of night,
While you're in my arms.
I feel your lips, so warm and tender,
My one and only love.
The touch of your hand is like heaven.
A heaven that I've never known.
The blush on your cheek,
Whenever I speak,
Tells me that you are my own.
You fill my eager heart with
Such desire,
Every kiss you give
Sets my soul on fire.
I give myself in sweet surrender,
My one and only love.
The blush on your cheek,
Whenever I speak,
Tells me that you are my own.
You fill my eager heart with
Such desire.
Every kiss you give
Sets my soul on fire.
I give myself in sweet surrender,
My one and only love.
My one and only love.

Publicado por vitorsilva às 10:37 PM

março 05, 2005

Compra já!

Certamente para comemorar os 20 anos do continente, no ultimo jornal de promoções que recebi (nem ao sábado descansam), vinha esta promoção fantástica. vejam só o preço! 1,26€ por 125 KG!!! de queijo fatiado... vou já a correr para lá!

Publicado por vitorsilva às 09:23 PM

março 04, 2005

o doutor jivajo, boris pasternak

"E tu, anacoreta da cidade, obrigado a chicotear tua imaginação e teus nervos enfraquecidos com o tabaco e o café forte e negro, tu ignoras o mais poderoso de todos os narcóticos: a necessidade real e uma saúde de ferro."

Publicado por vitorsilva às 08:56 AM

março 03, 2005

wifi.artcache

http://www.techkwondo.com/projects/artcache/about.html
The design challenge of this project is to create an apparatus that brings together physical proximity, narrative, interactivity and physical space in such a way as to engage a discourse about ubiquitous computing and the production of space.

Publicado por vitorsilva às 10:17 AM

março 02, 2005

     cavaterra

         teca
novo circo
  movimento 
      corpo humano 

escuridão
     sincrono / assincrono
          sonoro
 

http://www.tnsj.pt/site/hm.asp
criação >> Circolando
direcção artística >> André Braga, Cláudia Figueiredo
direcção >> André Braga
criação em residência e
co-produção com >> Teatro Viriato (2004), Teatro Aveirense (2005)
TEATRO CARLOS ALBERTO >>
[ 9 | 12 FEV

Publicado por vitorsilva às 04:05 PM

fevereiro 20, 2005

viagem interplanetária na rota das sondas voyager

Na última quinta-feira eu (e mais uma vinte pessoas) tivemos a possibilidade de ouvir falar um pouco sobre astronomia, mais especificamente dos planetas visitados pelas diferentes sondas que andam aí pelo universo.
Fomos presenteados com um conjunto de imagens fabulosas que demonstram que a realidade é mais surpreendente que muita da ficção que por aí vemos.
Desde planetas gigantes (jupiter e saturno) a satélites micro, atmosferas tenebrosas e cenários parecidos com a Terra (Ver, tocar e cheirar Titã, um mundo extraordinariamente semelhante ao da Terra), esta apresentação (embora às vezes ao soluços) teve o condão de relembrar que estamos no nosso planetazinho, num sistema solar perfeitamente banal, numa galáxia entre milhões e milhões de outras...
e que continuamos a destruir a nossa navezinha espacial.

Publicado por vitorsilva às 06:33 PM

novembro 25, 2004

está na hora

da poda... pelo menos para algumas árvores
PODA - A hora da tesoura
PODA, A HORA DA PRODUTIVIDADE
PODA DAS FRUTEIRAS
Frutíferas: Poda garante estabilidade à produção
O segredo é a poda
nomeadamento o meu diospireiro
A cultura do caqui
Caqui – fruta saborosa, cultivo proveitoso
e como (normalmente) preciso de saber o que fazer a tanto diospiro aqui ficam umas receitas
Salada com Caqui
Caqui de Conselheiro Lafaiete (Minas Gerais)
Bolo de caqui light
Diospiros Merengados
outras receitas e noticias sobre o diospiro
Persimmon Cookbook
Persimmon, "Food of the Gods"
directorio
Persimmon Jam

Publicado por vitorsilva às 12:06 PM

novembro 04, 2004

a química na sociedade e no ambiente

ciências na cidade
biblioteca municipal almeida garrett, 21h30
por maria teresa sá dias de vasconcelos (dep. química da fac. ciências da up) org. faculdade de ciências da universidade do porto
As aplicações da investigação e desenvolvimento em Química tem trazido benefícios notáveis à qualidade de vida dos povos em múltiplas áreas, como saúde (analgésicos, quimioterapia, controlo de epidemias,..), controlo da natalidade ("pílula"), incremento agrícola (adubos, pesticidas), novos materiais (polímeros,..), etc. Porém, os resíduos desses produtos causam desequilíbrios ambientais (poluição), levando a associar às actividades químicas uma imagem negativa, desajustada da realidade. Afinal, a Ciência Química é amiga ou inimiga do Homem e do Ambiente?

http://www.agendadoporto.pt/indi/184.htm

Publicado por vitorsilva às 10:04 AM

novembro 03, 2004

Futuro Sustentável

Reunião participativa no concelho do Porto
integrada no Plano Estratégico de Ambiente do
Grande Porto - Futuro Sustentável

Porto: 3 de Novembro
Local: Biblioteca Municipal Almeida Garrett
Rua D. Manuel II - Jardins do Palácio de Cristal
Hora: 21h00

A reunião de trabalho é aberta a todos os cidadãos que vivem, trabalham ou estudam no concelho do Porto.

O encontro será um espaço de discussão, participação e envolvimento, pretendendo-se discutir os problemas e as prioridades da região do Grande Porto.

Confirme por favor a sua presença na reunião, utilizando os seguintes contactos:

Telefone: 225 580 032
Fax: 225 090 351
contacto@futurosustentavel.org
http://www.futurosustentavel.org

Publicado por vitorsilva às 04:22 PM

outubro 28, 2004

compra JÁ

Publicado por vitorsilva às 09:44 AM

outubro 27, 2004

notas para um passeio transmontano - anexo I - arquitetura

in
Arquitectura Tradicional Portuguesa
ISBN 9722023977
Autor(es) Oliveira, Ernesto Veiga de
Editora Dom Quixote

A casa popular transmontana, embora incluída na categoria geral da casa nortenha, de pedra, de rés-do-chão e andar funcionalmente distintos, e com a varanda e escada exterior, apresenta aspectos muito diversos da casa do Noroeste atlântico, e pode-se considerar uma forma própria característica, postulando talvez a natureza específica de certos elementos e mesmo o exclusivismo das suas origens. Como naquela, na casa transmontana o rés-do-chão destina-se a arrecadações e lojas de gado.
As casas grandes, ou aquelas que se encontram isoladas das demais, possuem, como traço característico, um pátio que fica ao lado ou no meio da casa, e para onde dão as lojas, e onde se acumulam os estrumes, e que leva o nome de curral ou curralada.
Quando é lateral, a curralada abre para a rua por um portal de dois batentes que se segue à fachada da casa e faz a serventia de animais e carros; e em redor dela dispõem-se certos anexos, palheiros, o cabanal de recolha de alfaias e carros, etc.; e por vezes também a passagem para uma horta ou cortinha.
O material de construção predominante é o xisto. São dignas de menção especial as colunas feitas de pequenos blocos ou lascas desta pedra, de forma cilíndrica ou ligeiramente cónica, como suportes de varandas ou alpendres, que se usam em grandes áreas desta província.

A escada, como dissemos, é normalmente exterior, de pedra, e conduz sempre à varanda ou, em casos típicos, a um patamar de entrada. Nas casas arruadas ela situa-se quase sempre na frontaria, partindo da rua, encostada ou perpendicular à parede.
Nas áreas de xisto os degraus são muitas vezes de placas desse material, de um aparelho extremamente tosco.

Em Trás-os-Montes, embora sejam frequentes os telhados de quatro águas, especialmente em casas isoladas ou de maior vulto, predominam os de duas águas, que são em geral compridas e pouco inclinadas. Mas, como já tivemos ocasião de notar, estes telhados diferem essencialmente dos telhados do mesmo tipo, da zona atlântica serrana, de colmo, com cápeas e guarda-ventos. Em certas aldeias, as casas contíguas mostram muitas vezes um telhado seguido – quase único -, que as recobre a todas ou parte delas.
A cobertura, na maioria dos casos, é de telha, pelo menos actualmente; mas são numerosas as zonas onde ela é de placas de xisto.
Na área do xisto são frequentes os beirais deste material, sobre os quais assenta a telha; e mesmo nas zonas de contacto vêem-se casas com paredes de granito que têm esses beirais de xisto.
Estes telhados não mostram quaisquer elementos decorativos, e mesmo as chaminés são raras e de divulgação recente. Dão a estas o nome de chupões ou bueiros, e são geralmente baixas, com a forma de paralelepípedos estreitos, ou, muito mais raramente, de pirâmides truncadas. Onde a cobertura é de xisto é também desse material que se fazem os chupões; nos outros casos eles são normalmente de chapa.

O elemento fundamental destas casas, e que marca sem dúvida a sua originalidade, é a varanda, que se pode considerar de uso absolutamente geral, e que, embora comparável à varanda da casa do Noroeste, mostra características próprias e especiais.
A varanda não tem lugar definido na casa transmontana.
Nas casas com curralada lateral, a varanda situa-se na fachada que dá para esse lado, e a escada que ascende a ela nasce do portal alpendrado e pode dispor-se no seu prolongamento encostada àquela fachada, ou perpendicular a ela, a meio ou num dos seus topos.
A varanda é sempre coberta pelo telhado ou por um seu prolongamento; quando ela é comprida, o frechal que lhe corresponde pousa em prumos que se erguem do peitoril, geralmente simples barrotes de madeira postos ao alto, com cachorros do mesmo material, por vezes rudimentarmente decorados, outras disfarçados sob galerias de fantasia; mas, em casos mais raros, esses apoios podem ser belas colunatas de pedra.
Com grades ou resguardos, estas varandas podem mostrar apenas um varal horizontal, apoiado em prumos espaçados ou em balaústres, que podem ser lisos ou vazados e abertos em arabescos e desenhos vários, ou ainda em grades de ferro, simples ou com lavores. Em certas regiões usam-se também grades de ripas ou uma vedação de tábuas de forro. Nas casas urbanas, onde a varanda é também o elemento característico, a grade é geralmente de balaústres lisos.
Quando as casas têm mais do que um andar sobradado, encontra-se geralmente no último uma varanda que, normalmente, é estreita. Não é raro mesmo verem-se varandas sobrepostas, às vezes de tipos diversos, nos dois ou mais andares de prédios.
A varanda no andar superior e uma solução frequente na casa urbana transmontana, nas cidades e vilas da província, e até em certas aldeias de feição urbana. E o costume tm uma força tão grande que se vêem varandas que se elevam acima do telhado ligadas à casa apenas por uma porta que abre para o sótão.
Pela sua função e forma geral, a varanda transmontana aproxima-se, como dissemos, da varanda minhota. Num caso como no outro, os antigos “nela espadelaram e fiaram o linho, seroaram no Verão, secaram o cereal, estenderam a roupa, guardaram a alfaia, rezaram o terço, fizeram as bodas”; ela serve de refúgio no Verão, de repouso nocturno, de agasalho no Inverno; e até nela se põem os vasos de flores que o povo tanto aprecia. Mas ela é essencialmente diferente daquela: enquanto a varanda minhota é larga e assenta normalmente em grandes pilares e padieiras de granito, a transmontana é toda de pau. A varanda minhota é, na verdade, um anexo da lavoura; em Trás-os-Montes, para lá desse aspecto, que tem aliás grande relevo, ela é uma parte integrante da casa, relacionada além disso com a vida doméstica e colectiva da aldeia; a varanda transmontana tem a mesma natureza, em ambos os casos, e sobretudo na varanda alta e estreita – desconhecida no Minho -, sobreleva mesmo o carácter urbano.

Interiormente a casa transmontana não apresenta quaisquer particularidades distintivas. Como na área atlântica nortenha, também aqui a cozinha é a divisão essencial da casa, onde decorre o mais importante da vida de relação familiar. Ela situa-se geralmente no andar, e, como a chaminé é rara, é de telha-vã, para permitir a saída do fumo. Na ponta extrema do nordeste da província a cozinha é frequentemente mais pequena e o lar fica, em certas regiões, no centro do compartimento. Ela abriga, como no Minho, geralmente o forno; mas nas aldeias serranas onde se conservam costumes comunitárias o forno caseiro não existe, porque toda a gente coze no forno comum do povo.
Como no noroeste, também na cozinha transmontana se vê sempre, ao lado da lareira, um grande banco – o escano.
É usual na cozinha transmontana o cubo ou embúdio, funil que comunica com a pia dos porcos, no rés-do-chão, por onde se lança a vianda para esses animais.

Publicado por vitorsilva às 11:50 AM

outubro 26, 2004

directamente do bau

We used to meet every Thursday Thursday
Thursday in the afternoon
For a couple of beers and a game of pool
We used to go to a motel a motel
A motel across the street
And the name of the motel was the Wagon Wheel
Oh
One day she said come on come on she said
Why don't you come back to my house
She said my husband's out of town
You know he's gone till the end of the month
Well I was just so nervous so nervous
You know I couldn't really quite relax
Cause I was never really quite sure when her
Husband was coming back
Sure one of the neighbors yea one of the neighbors
One of the neighbors that saw my car
And they told her yea they told her
I think they know who you are
Well her husband he's a violent man a very violent and jealous man
Now I have to leave this town I got to leave while I still can
We should have kept it every Thursday Thursday
Thursday in the afternoon
For a couple of beers and a game of pool
We should have kept it every Thursday Thursday
Thursday in the afternoon
For a couple of beers and a game of pool
She was pretty good too

morphine - cure for pain - thursday

Publicado por vitorsilva às 06:07 PM

outubro 21, 2004

Notas para um passeio Transmontano 6/6

De volta a Vimioso
Em Azinhoso, depara-se-nos uma igreja românica do século XIII; de uma só nave, apresenta uma frontaria espaçosa com pórtico castiço na sua singeleza e um amplo frontão sineiro.

Penas Roias, conserva o seu velho pelourinho e uma esguia torre quadrangular em ruínas, que é o que resta da fortaleza construída sobre um morro que proporciona uma vista de dilatados horizontes.

Algoso foi outrora poderosa cabeça de um vasto concelho distinguido com forais e privilégios, chegando a abranger vinte povoados. Domina a ribeira de Angueira, afluente da margem esquerda do rio Sabor. Toda a sua história antiga está ligada à do altivo castelo erguido num promontório fragoso e alcantilado, a 681 m de altitude, pelo guerreiro Mendo Rufino que o deu a D. Sancho I em troca do senhorio de Vimioso. D. Sancho II concedeu Algoso, em comenda, à Ordem do Hospital que ali permaneceu durante séculos. Em 1710 os espanhóis saquearam e queimaram a vila de Algoso mas não conseguiram assenhorear-se dela. Do inexpugnável castelo, suspenso sobre o abismo, subsiste uma torre de onde se avista um panorama soberbo mas agreste. A igreja românica, com as armas reais, apresenta uma torre sineira digna de nota. A freguesia tem ainda a capela de Nossa Senhora da Assunção (ou do Castelo) e a Capela de São Roque. Em frente dos antigos Paços do Concelho podem ver-se o pelourinho e as ruínas do Solar dos Távoras.

Izeda, com os seus 1161 habitantes é mais populosa povoação rural de todo o concelho de Bragança; foi vila até 1855.

Publicado por vitorsilva às 10:25 PM

outubro 20, 2004

Notas para um passeio Transmontano 5/6

Mogadouro
2679 habitantes. Vila do distrito e diocese de Bragança, sede de concelho e de comarca; dista 91 km da sede de distrito. Situada a 775m de altitude, a parte antiga fica ao redor dum pequeno morro onde se ergue o castelo; a parte moderna ocupa uma esplanada espaçosa.

De origem árabe como o topónimo sugere, recebeu foral de D. Afonso III em 1272 e em 1297 foi doada por D. Dinis aos Templários; passou a ser da Ordem de Cristo em 1319 e da família dos Távoras a partir do século XV. Do outrora castelo possante, que se erguia dominador sobre vastos horizontes, resta uma torre de faces rectangulares. A antiga igreja matriz, situada no sopé do cabeço, é um templo quinhentista de uma só nave, com altares de talha barroca. Serve de igreja paroquial, porque mais espaçosa e central, a igreja do antigo convento franciscano (séculos XVI-XVII) destruído por um incêndio a meados do século XIX, tendo o seu local sido ocupado pelos actuais Paços do Concelho.

Publicado por vitorsilva às 10:19 PM

outubro 19, 2004

Notas para um passeio Transmontano 4/6

Miranda do Douro » Mogadouro
A barragem do Picote, situada num impressionante estrangulamento do rio, começou a ser construída em Agosto de 1954, e começou a funcionar e, Janeiro de 1958; a barragem tem a altura de 100 m e mede no coroamento 92,30 m, sendo a potência dos três geradores da ordem dos 180 MWh.

Na aldeia do Picote situa-se o Barrocal, um bairro construído nos anos 70, de estilo modernista, um exemplo arquitectónico muito conhecido e visitado por estudantes de todas as escolas de arquitectura e objecto destacado nas últimas “Jornadas Transfronteiriças de Bioconstrução e Arquitectura Tradicional em Trás-os-Montes”

POUSADA
"(...) Encontrei nas arquitecturas das barragens do Alto Douro a mais radical manifestação da Modernidade que até hoje vi em Portugal, a que estava a ser renovada, mesmo antes de se ter manifestado, como aqui, na pujança mais abstracta ou mais plástica. Primeiro a própria barragem, depois os equipamentos técnicos e finalmente as áreas residenciais. Todo este sistema se constitui de forma totalmente auto-suficiente. Separa-se ostensivamente dos povoamentos existentes e dos terrenos lavrados, recusando qualquer relação funcional ou formal com essa realidade. Procura terrenos selvagens, agrestes ou pedregosos para sobre eles implantar o seu novo mundo de utopia tecnológica.(...)"
POÇO DE ACESSO
“(...) A colaboração entre arquitectos e engenheiros vai revelar-se uma conquista preciosa pela consciência da importância do rigor, das sínteses eficazes com vista a objectivos preciosos e bem determinados para uns, mas também pela compreensão do valor da arte e da possível compatibilidade com a poética criadora na realização das grandes obras de engenharia.
(...) A mim emociona-me particularmente todo o conjunto de Picote, das as instalações técnicas da barragem, ao novo aldeamento com igreja, Centro Comercial, Escola, Casas dos operários Casas dos engenheiros, Pousada, Ténis, Piscina, etc. Arquitectura geométrica, modulada, afirmativa, de forte presença visual. Mas sempre articulada com as linhas da paisagem, numa sabedoria de implantação atenta ás formas naturais que parece directamente herdada da tradição helenística, como se fazia na construção de cidades como o Porto. (...)”

Publicado por vitorsilva às 11:10 PM

outubro 14, 2004

Notas para um passeio transmontano 3/6

Miranda do Douro
1813 habitantes. Cidade do distrito de Bragança e da diocesa de Bragança e Miranda, sede de concelho e de comarca.
Fica no cimo de uma encosta um tanto abrupta, a 687 m de altitude, na alcantilada margem do rio Douro, olhando para a vastidão planáltica da margem esquerda do rio que se estende na direcção de Zamora e Salamanca.

A origem do povoado onde viria a edificar-se Miranda do Douro continua desconhecida, mas os poucos indícios arqueológicos até hoje encontrados parecem fazê-lo remontar a um castro da Idade do Bronze. Nos princípios do século VIII, os mouros escorraçaram os visigodos e ocuparam a povoação, dando-lhe o nome de Mir-Hândul. Mas tanto Leite de Vasconcelos como o Abade de Baçal defendem que Miranda deriva do verbo latino “miror” (olhar de frente) geralmente associado a praças fronteiriças.
Para tentar povoar o local, D. Afonso Henriques, que a herdou de seus pais, vendo nela um ponto estratégico para a resistência ao poderia leonês, transformou a povoação em “couto de homiziados”, dando-lhes carta de foro em 1136. Mas foi D. Dinis, em 1286, quem elevou Miranda à categoria de vila, concedendo-lhe foral e mandando construir o castelo e a cercadura das muralhas, que ainda persiste. Já no século XVI, D. Manuel I mandou renovar o castelo e construir a Casa da Alfândega – que serviu de quartel à Guarda Fiscal até à extinção da corporação, já nos nossos dias.

O período áureo de Miranda do Douro começaria em 1545, quando o Papa Paulo III fundou a diocese de Miranda e, logo de seguida, o rei D. João III a elevou à categoria de cidade. Em pleno Renascimento, esta promoção haveria de constituir incentivo para o desenvolvimento económico e cultural. E também religioso: logo em 1552 se lança a primeira pedra para a obra da catedral – cuja construção iria levar 50 anos -, assistindo-se à renovação do tecido urbano da cidade, uma boa parte do qual ainda hoje se pode apreciar, passados mais de quatrocentos anos.

Do castelo restam actualmente apenas as poucas ruínas que subsistiram à explosão dos paióis de pólvora em 1762, quando a cidade se encontrava cercada (admite-se que tenha havido traição), em redor da antiga praça de armas e da torre de menagem medievel, que, apesar de ter sido desmantelada, mostra ter sido uma fortaleza possante.
Por bula de 27 de Setembro de 1780 a sua diocese ficou unidade à de Bragança com o bispo a residir nesta cidade, mas mantendo a igreja matriz de Miranda a categoria de Sé, ficando a diocese a denominar-se “de Bragança e Miranda”.

A recente construção da sua grande barragem hidroeléctrica, que permitiu o acesso a Espanha, fez com que nela se desenvolvesse notavelmente o comércio.
Aliás, na área do concelho encontram-se dois dos maiores empreendimentos hidroeléctricos portugueses ambos situados no troço do Douro internacional. A barragem de Miranda, construída junto a um brusco cotovelo do rio, dista apenas 1 km da Sé; iniciadas as obras em 1956, o primeiro grupo de geradores entrou em funcionamento no mês de Agosto de 1960; a barragem mede de coroamento 263 m, sendo de 80 m a sua altura acima das fundações; a potência total dos três geradores é de 174 MWh.

Publicado por vitorsilva às 09:30 AM

outubro 13, 2004

Notas para um passeio transmontano 2/6

De viagem até Miranda do Douro
Em Argozelo, 11 km a N, há para ver o castro do cerro Grande, o castro da Terronha, as inscrições romanas no promontório da Tera do Castelo e a Capela de São Bartolomeu.
Caçarelhos, 12 km a E, possui um magnífico cruzeiro (século XVIII), a capela de Santo Cristeo em estilo joanino e as quatro grutas de mármore de Santo Adrião descobertas em 1852 e 1866; o jazigo, com mais de 6 km de comprimento no sentido NE-SO, contém mármores e alabastros de incontestável beleza.
Senhora da Luz, início da fronteira terrestre com Espanha. É o ponto mais alto do planalto mirandês, palco de uma das mais curiosas romarias transmontanas. No último domingo de Abril, portugueses e espanhóis fazem da festa uma feira franca, para desespero das polícias. Acabada a romaria, a Senhora da Luz é um local ermo, com uma vista como talvez só o castelo de Algoso é capaz de oferecer. Um homem, isolado, passa ali os dias. Está só porque os portugueses não têm ninguém para vigiar fogos. Porque os polícias já se foram embora. Porque, afinal já não há fronteiras.
Paradela, aldeia pequena e vazia por onde entra o Douro em Portugal. É o extremo leste do país. Um pequeno percurso a pé leva à barragem.

Publicado por vitorsilva às 10:46 AM

outubro 11, 2004

Notas para um passeio transmontano 1/6

Vimioso
1171 habitantes. Vila do distrito de Bragança, sede de concelho e de comarca; dista 54 km da sede de distrito.
O mais antigo documento referente a esta povoação data de 1187 e respeita à aquisição por D. Sancho I do “chão” para fundar uma “cidade”. Porém o seu povoamento só se processou no reinado de D. Sancho II.

O casario dispersa-se por largo outeiro, a 700m de altitude, implantado entre os rios Angueira e Maçãs, que se unem antes de confluírem na margem esquerda do Sabor.
Na região de que Vimioso é cabeça restam vestígios de quatro povoações castrejas, uma das quais no cabeço sobranceiro à vila conhecido por atalaia. Desta resta uma torre com restos de fosso, mas do antigo castelo afonsino nem vestígios há pois a fortaleza, arrasada pelos Espanhóis a 6 de Maio de 1762, foi terraplanada entre 1834 e 1861. Vimioso tornou-se vila e sede de concelho em 1515, conservando o seu pelourinho singelo.

A igreja matriz, construída durante o domínio filipino (1ª metade do século XVII), é um edifício espaçoso com dez botaréus de feição românica a reforçarem os muros que sustentam uma abóbada baixa de cinco tramos dotada de longas nervuras prismáticas cruzadas; a fachada apresenta duas torres assimétricas unidas por um balaústre, havendo sobre o pórtico uma curiosa fresta em vez da tradicional rosácea ou abertura ocular; o retábulo do altar-mor é todo em talha dourada.
Monumento medieval, o pelourinho, é formado por uma coluna que se eleva de uma base quadrangular de quatro degraus. O fuste, octogonal, é interrompido por uma cruz de granito de braços iguais, com semiesferas nos topos, e termina por um disco sobre o qual repousa o capitel. Remata o conjunto um tronco de cone encimado por uma semiesfera.

Publicado por vitorsilva às 07:21 PM

outubro 07, 2004

férias

onde já vão as férias e o meu passeio curto (muito) por arouca e arredores.
começou já a meio/fim da manhã com uma vista breve do mosteiro de arouca (sec. x), passeio curto pelas redondezas em obras, parece que em portugal o tudo o que seja aglomerado com mais de 4 ou 5 casas está em obras, e almoço no parlamento... uma bela posta arouquesa (mesmo para não apreciadores).
ainda dei um salto ao centro internet do sitio onde também recolhi mais alguma informação sobre percursos pedestres na região de arouca.
ficou ainda muito para ver na cidade/vila(?) mas segui para a serra da freita. paisagem deslumbrante, principalmente entre albergaria da serra / castanheira / mizarela. a não perder claro a imponente frecha de mizarela, uma queda de água com mais de 60m de altura e, só para dizer que já viram, a visita às pedras parideiras... fenómeno único no país e raríssimo no mundo mas não particularmente entusiasmante... enfim... se calhar se formos alguém que nos explique melhor o processo e para onde temos que olhar pode ser que seja interessante.
fiquei filado num percurso pedestre que começa em merujal, passa por mizarela, albergaria da serra, continua pela serra da freita e volta a merujal. são 13km mas já imagino fazê-lo num dia solarengo frio e seco de outono/inverno. hmmm.

Publicado por vitorsilva às 11:07 PM

setembro 30, 2004

é o ambiente, estúpido

será que é desta que o protocolo de quioto começa a ser implementado?
recorri a um dos meus livrinhos favoritos (um só mundo, peter singer, gradiva) para tentar perceber o que está em jogo. deixo só uma passagem.
"... Lomborg [em The Skeptical Environmentalist] afirma que o Protocolo de Quioto nos conduzirá a uma perda liquida de 150 000 milhos de dólares. Esta estimativa pressupõe a existência de comércio de emissões entre países desenvolvidos, mas não entre todos os países do mundo. Pressupõe igualmente que os países em vias de desenvolvimentos continuarão a não estar abrangidos pelo Protocolo - caso no qual o acordo terá apenas como efeito adiar, uns poucos de anos, as alterações climáticas previstas. Mas se os países em vias de desenvolvimento se juntarem aos signatários, tendo visto que os países desenvovidos levam a sério a diminuição das respectvas emissões, e se existir comércio mundial de emissões, os números de Lomgborg passam a demonstrar que o pacto de Quioto trará um benefício líquido de 61 000 milhões de dólares.
Todas estas estimativas pressupõem a solidez dos dados de Lomborg - um pressuposto questionável, pois como poderemos avaliar o preço das mortes, cada vez em maior número, devido a doenças tropicais e a inundações que o aquecimento da Terra provocará?

E quanto deveremos pagar para evitar a extinção de espécies e ecossistemas inteiros? Mesmo que conseguíssemos responder a estas interrogações e concordar com os dados utilizador por Lomborg, precisariamos ainda de reavaliar a sua decisão de descontar todos os custos futuros a uma taxa anual de 5%. Uma taxa de desconto de 5% significa que consideramos que perder 100 dólares hoje equivale a perder 95 dólares daqui a um ano, a perder 90,25 dólares daqui a 2 anos e assim sucessivamente. É óbvio que, assim, perder alguma coisa daqui a, digamos, quarenta anos não terá grande importância e, portanto não fará grande sentido gastar agora muito para nos assegurarmos de que não a perdemos. Para ser preciso, a esta taxa de desconto, para nos certificarmos de que não perdemos 100 dólares daqui a quarenta anos só valeria a pena gastar agora 14,2 dólares. Uma vez que os custos da redução das emissões dos gases de efeito de estufa seriam para breve, ao passo que a maior parte dos custos de nada fazer para os reduzir só adviria daqui a várias décadas, a diferença na avaliação dos custos e benefícios é enorme. Suponhamos que o aquecimento não controlado da Terra levava ao aumento do nível das águas dos mares, inundando terra preciosa daqui a quarenta anos. Com uma taxa de desconto de 5%, só vale a pena gastar 14,2 dólares para evitar uma inundação que destruirá definitivamente terras no valor de 100 dólares. As perdas que ocorrerão daqui a um século ou mais vão perdendo importância por não valerem praticamente nada. Isto não se deve à inflacção - estamos a falar de despesa expressa em dólares já ajustados à inflação. Lomborg justifica a utilização de uma taxa de desconto afirmando que se investirmos agora 14,2 dólares, obteremos um rendimento (completamente seguro) de 5% sobre esse valor e, assim, daqui a quarenta anos ele estará transformado em 100 dólares. Embora a utilização de uma taxa de desconto constitua uma prática económica corrente, a decisão acerca da taxa a usar é muitíssimo especulativa e a aceitação de diferentes taxas de juro, ou mesmo o reconhecimento de incerteza quanto às taxas de juro, têm como resultados rácios muito diferentes entre custos e benefícios. Há também uma questão ética relacionada com o desconto do futuro. É verdade que os nossos investimentos podem aumentar de valor ao longo do tempo e que nos tornaremos mais ricos, mas o preço que estamos dispostos a pagar para salvar vidas humanas, ou espécies ameaçadas, pode aumentar em igual valor. Estes valores não dizem respeito a bens de consumo, como televisores ou máquinas de lavar loiça, que veêm o seu valor reduzir-se na proporção dos nossos ganhos. Aplicam-se a coisas como a saúde, algo que, quanto mais ricos somos, mais dispostos ficamos a não olhar a custos para preservar. Seria necessária uma justificação ética, e não económica, para descontar o sofrimento e a morte, ou a extinção de espécies, simplesmente porque essas perdas não vão ocorrer em quarenta anos. Não se avançou qualquer justificação desse género.

Publicado por vitorsilva às 09:42 PM

setembro 20, 2004

superliga faaannnntástica

já lá vão á vontade dez anos desde a altura em que assistia maravilhado às jogadas de jordan e magic. nessa altura o programa nba action alegremente apresentado pelo carlos barroca já explorava aquilo em que a nba é (ou era) boa, jogos interessantes e jogadas ainda mais interessantes. o programa tinha alguma teoria explicada de forma simples, antevisões e entrevistas com jogadores, lá pelo meio lançavam algumas perguntas que respondiam mais a frente no programa e claro, tinha uns separadores que ainda hoje são do melhor que já vi.

esta conversa toda só para falar do "Superliga - Antevisão" que passa na TVI ao sábado antes do almoço. Programa na senda de todos os outros programas do género que foram passando pela rtp. sensaborão e sem ritmo mas como tem o apresentador mais cromo da tv (miguel quaresma) convém ir assitindo, quem sabe se temos a oportunidade de o voltar a ver de camisa aberta até ao umbigo com uma corrente de ouro ao peito.

a não perder portanto.

Publicado por vitorsilva às 11:42 AM

setembro 19, 2004

irmãos karamazov

acabei ontem de ler o "irmão karamazov" de dostoievski. não foi tarefa facil confesso, 600 páginas representam muitas horas de leitura e no pouco tempo que vou tendo isso quer dizer que um livro destes demora sempre 2 a 3 meses a ser consumido.
lamentos à parte este é um livro muito interessante em que um narrador activo nos vai contando a história de uma família, um assassínio e de muitas questões morais.
a questão racionalismo / misticismo, ou o que valorizar mais, se a ciência que responde a tudo se o senso comum de pendor religioso impõe-se, o que aliás é um fio condutor da sua obra (veja-se por exemplo "o jogador").
no entanto não se pense que toda esta profundeza de espírito e dos temas abordados faz deste um livro chato e cinzento, nada disso, o narrador com as suas dicas sobre o que se vai passar a seguir e considerandos sobre as personagens, bem como os retratos vívidos de todas as situações tornam este um livro acessível.

"O seu estilo, inconfundível, distingue-se por uma tensão nervosa exacerbada, por uma espécie de vibração interior. Os protagonistas são geralmente criminais, doentes ou loucos, sempre fora da normalidade. São personagens que vivem numa crise contínua; no seu interior produz-se uma dramática luta entre as forças do bem e do mal. Com frequência o protagonista, humilhado sob o peso das injustiças sociais, mostra-se a si mesmo como um bufarinheiro e parece experimentar um prazer mórbido na sua decadência. Nesta situação é objecto de visões e alucinações que dão ao relato um tom vibrante. O envelhecimento da pessoa, o pecado e a redenção são outros tantos aspectos sempre presentes na obra de Dostoievski." (retirado daqui)

Publicado por vitorsilva às 09:50 PM

setembro 16, 2004

agente triplo


história curiosa de um espião. eu achei divertida mas sei que nem todos serão da minha opinião. um dos pormenores que achei mais interessante foram os diálogos, extensos, por vezes parece que não levam a lado nenhum mas no fim tudo encaixa. e o pragmatismo de fiodor (personagem central) é extraordinário.
mais info aqui

Publicado por vitorsilva às 06:21 PM

setembro 15, 2004

retroparadise

fica numa das ruas que mais gosto no porto, a rua do almada.
diz no flyer e eu confirmo: venda e aluguer vestuário, acessórios objectos e curiosidades.
a secção de vinis também me parecia muito interessante... pelo menos o sonzinho que estava a passar quando lá fui era muito agradável.
fica mesmo cá em cima quase junto à praça da república num edificio lindo azul... não estranhem o cão decrépito a ocupar a entrada, pelo que percebi é mesmo assim.

Publicado por vitorsilva às 11:26 PM

agosto 16, 2004

Passeio Diário


História com Ciência - Que dia é hoje?


A RELIGIÃO GREGA ARCAICA - Prof. Jorge Ferro Piqué - Universidade Federal do Paraná


Biologia - Ensino Médio (2º grau)


Tema 6: Fruto - 6.1. Características generales


How to Identify Plants. - Important Features of Flowering Plants


Classificação de plantas


leafmargin


Anatomia Vegetal


MORFOLOGIA FLORAL - ANGIOSPÉRMICAS


Árvores Monumentais


Persimmons - Consider the Many Virtues of Persimmons


Pruning and Training Persimmons


Persimmons


HortResearch Publication - Pruning Persimmons


Persimmon Fruit Facts and Information

naturlink

Judo - From Wikipedia, the free encyclopedia


Judo Information Site!


A História do Judo

Publicado por vitorsilva às 11:46 PM

agosto 04, 2004

exposições

museu de serralves - behind the facts. interfunktionen, 1968-75
"a exposição apresenta mais de cem obras realizadas neste período por 43 artistas que participaram nas páginas da revista, sublinhando a relevância de um momento de grande transformação cultural, social e artística, permitindo reler a sua época e confirmar a pertinência e, em muitos casos, a actualidade da transgressão dos limites que marcou as práticas artísticas desse período."

museu de serralves - ready to shoot: galeria televisiva gerry schum
"na mesma época, também na região do Reno, um jovem realizador de cinema, Gerry Schum, que tinha um contacto estreito com os artistas da sua geração - muitos deles relacionados com a revista interfunktionen - criou condições para que estes artistas utilizassem o video como meio de documentação das suas próprias obras, mas também como suporte inovador das suas criações. Schum promove a extensão da arte ao filme, modifica o conceito de galeria para o de uma agência representando os interesses dos artistas na produção de obras, utiliza de forma pioneira a televisão como um meio para a difusão da arte."

culturgest porto - proximidades e acessos: obras da colecção de ivo martins
"para além de dar a conhecer a obra de artistas contemporâneos portugueses, esta exposição constitui uma oportunidade de enquadrar a própria colecção. (...) em relação a outras colecções privadas, a de Ivo Martins alcança um especial relevo por integrar não apenas obras de desenho, pintura, escultura, vídeo e fotografia, mas trabalhos e formas de instalação e exposição que, seja pelo seu domínio experimental ou pelo espaço físico de ocupação surgem pouco representados no panorama do coleccionismo privado português"

museu dos transportes e comunicações: alfândega - edgar cardoso: o engenho e o homem
exposição evocativa do trabalho do eng. edgar cardoso onde se pode apreciar diversos projectos levados a cabo pelo "sr. pontes". desde a ponte da arrábida à ponte s. joão incluindo o reforço da ponte luis i e outros trabalhos. para além de fotos e projectos dos seus trabalhos podemos ainda ver maquetes reduzidas que eram utilizadas para determinar a viabilidade das suas construções.

museu do vinho do porto
exposição inaugural do museu do vinho do porto com bastante informação sobre a vertente comercial a ele associada: a ligação inglesa, o transporte no barcos rabelos, a construção do caminho de ferro, a realidade social resultante dessa exploração comercial. o museu em si não é muito grande e parece-me que já fica um pouco fora do circuito turistico.

Publicado por vitorsilva às 11:33 PM

agosto 03, 2004

bulllet

bulllet rula! fui ver na fnac de sta. catarina uma performance que começou mesmo à horinha. acho que perdi só uma música mas deu para apreciar todo o show multimédia (pouco) interactivo apesar dos convites insistentes de Kalaf a propósito do qual "outro membro chave é Kalaf. Poeta e mestre da palavra falada, Kalaf conferiu – ao vivo – outra dimensão aos Bulllet ilustrando com as suas imagens faladas uma música já de si poderosamente evocativa."
muito boa também a criação online de grafismos que eram projectados atrás da banda.
fiquei com vontade de ver um espectáculo completo deles.
mais info aqui

Publicado por vitorsilva às 10:46 PM

quadrado

enquanto não encontro o novo número da satélite internacional vou aproveitando para ler a última Quadrado (maio 2004).
nesta edição encontramos uma entrevista com joe sacco jornalista/autor de bd que publicou palestina e safe goradze e que nos explica um pouco a sua abordagem criativa para além de aflorar o problema da quantidade de informação que nos massacra diariamente. escusado será dizer que palestina e safe area goradze são já clássicos da bd.
para além de um balanço de 2003 que vindo a meio de 2004 perde um bocado o impacto que poderia ter, encontramos ainda análises a algumas antologias estrangeiras e que servem como um bom guia de compras :).
finalmente, esta quadrado, inclui ainda um especial autores finlandeses com um artigo prévio descritivo da cena nórdica.
para além da leitura destes artigos, sempre recomendável, o verdadeiro sumo está nas histórias que publicam. da primeira olhadela rápida fiquei bem impressionado com: "fátima perdeu o rosto" de josé manuel saraiva embora ache que os textos poderiam ser um pouco melhor trabalhados; uma história de matt hagelberg "um dos mais inteligentes e experimentais artistas a nivel mundial"; "o porco de duas cabeças" de mika lietzen; "a minha rua" de henning wagenbreth; e "cão caspcho bósnio" de max andersson e lars sjunnesson.
sem dúvida o mais interessante na quadrado é que publicam um conjunto de histórias bem ecléticas, com estilos narrativos e desenhos bastante diferentes que refletem também formas diferentes de encarar a bd.

Publicado por vitorsilva às 09:52 AM

julho 19, 2004

passeio dominical

inicio na estação de s. bento. apesar das proteções que os azulejos mais em baixo têm, é possível apreciar a beleza da estação. (mental note: fotografar as paredes para ver com atenção as diferentes histórias lá representadas). curioso o suposto quintal que se consegue ver no fundo da estação na entrada dos túneis por cima da parede de pedra com a inscrição d. carlos i. logo na entrada da estação, do lado esquerdo, onde agora se compram os bilhetes, ficava antigamente uma estação dos correios que fechava à meia-noite a tempo de enviar a correspondência no comboio para lisboa.
seguimos para a sé para ver a torre dos doze (? acho que é assim que se chama) mas o domingo não é dia de turistas. esses certamente só passeiam pela cidade aos dias úteis das 10-12.30/14.30-17.30. custa ver os turistas pela cidade e monumentos de interesse fechados ou entaipados porque as obras que poderiam (?) ser feitas noutra altura ocorrem sempre (parece-nos) nas alturas em que as queremos visitar.
de qualquer forma temos sempre o contacto colorido (será politicamente correcto dizer isto?) com a população local, maioritariamente já numa faixa etária elevada e que se cruza aqui e ali com alguns drogaditos e crianças barulhentas.
entrada na r. d hugo pelo lado do paço da sé e seguir pela esquerda pela rua das verdades (pela direita vai-se até ao barredo como insistia calorosamente uma local a um turista italiano se não me engano que lá ia abanando a cabeça).
é uma zona curiosa esta. de passagem impossivel, a partir de certa altura, para os carros leva-nos a um porto não dos bairros sociais (viso, pasteleira, etc.) nem das ilhas mas a uma mistura entre a ruralidade decadente da zona de campanhã e as ruas fantasticas da zona do vale de massarelo. pena as casas velhas e abandonadas (quero dizer, mais velhas e mais abandonadas que no resto da cidade) e o lixo e degradação
(quero dizer, mais sujo e mais degradado que no resto da cidade) que nos acompanham.
mas surpresa mesmo é o pilar não metálico da ponte d. luis com que nos cruzamos na descida para a ribeira. é impressionante e inesperado. a ponte d. luis é metálica isso é algo que temos de tão adquirido como a água não ter sabor, mas ali aquele pilar mostra-nos aquela parte sempre escondida da ponte, ao lado da muralha naquele primeiro plano antes da descida vertiginosa para o rio.
por esta altura estamos no codeçal. um conjunto de casas mais ou menos por baixo da ponte com uma igreja ao lado com aspecto de estar fechada há muito tempo mas que pelos vistos tinha importância suficiente para ter uma daquelas placas explicativas das origens dos monumentos. aqui, para além do lixinho pelo chão, já podemos apreciar a vista sobre a ribeira, sobre a ponte, sobre gaia. será que isto compensa a envolvência... espero que os turistas achem que sim.
daqui para a frente é sempre a descer as escadas que vão dar mesmo em frente da entrada para o tabuleiro de baixo da ponte d. luis.
e já que estou aqui deixa-me aproveitar para experimentar a novidade da cidade. o funicular dos guindais (mental note: o meu dicionarios diz-me que funicular: que é formado ou puxado por cordas ou cabos; (...) ascensor. será que há alguma diferença entre elevador e funicular ou é mesmo só para dar um toque turistico à coisa?)
bem, a primeira observação é que não achei nada de fantástico... ainda para mais a coisa é rápida e quase metade do tempo é passado no pequeno tunel que nos leva para a saída em frente à policia. certamente que o impacto será maior na descida... aquele momento em que tudo desaparece da nossa frente e começamos mesmo a descer deve ser arrepiante, mas de qualquer forma aquilo parece-me um bocado destinado a ser mais um equipamento que daqui a pouco tempo será posto de lado. pelos carris que estão junto à saída julgo que foi pensado ter ligação ao eléctrico que nos levaria pela batalha, 31 de janeiro e daí de volta à ribeira(?) ou para a cordoaria mas como não estou a ver isso concretizado rapidamente fica o funicular como uma atraçãozita turistica para portuense ver.

Publicado por vitorsilva às 09:58 AM

julho 17, 2004

Angry Youth Comix

ainda não li nenhum mas parece ser interessante

Johnny Ryan is the most acclaimed humor cartoonist to burst on the comics scene since Peter Bagge (who neatly provides an introduction to this volume) redfined the genre with Hate in the late-’80s.
http://www.fantagraphics.com/artist/ryan/ryan.html
http://www.fantagraphics.com/artist/ryan/youth1_gal/ay1.html?ItemNumber=ang2.1&JumpTo=/artist/ryan/ryan.html

Publicado por vitorsilva às 06:54 PM

julho 08, 2004

"La libertad no debería ser el valor máximo"

http://revista.consumer.es/web/es/19991001/entrevista/
¿Qué opinión le merece un concepto, hoy tan poco específico y universalmente alabado como la libertad?

Para mí es un error convertir a la libertad en el máximo valor social, o dicho de otro modo, la convicción de que no hay otro valor superior. Según esta máxima, no tendría que pagar impuestos para combatir la desigualdad porque soy libre de hacer lo que me plazca.Valores como la justicia, la igualdad o el amor, por ejemplo, estarían, así, supeditados a la libertad, y yo creo que están por encima. Además, el ser humano no es libre: nace en el seno de una familia y con unos condicionamientos físicos y sociales. Lo verdaderamente importante es la liberación, por ejemplo, de las situaciones de miseria o de las políticamente injustas. Y en cuestiones más individuales, creo fundamental liberarse de cuestiones como el miedo, la agresividad o la sexualidad obsesiva. Para mí, lo importante es el concepto de autonomía, esto es, yo decido mis objetivos evaluando todas las circunstancias y luego elijo confraternizar y colaborar con otras personas. En definitiva, yo limito mi libertad porque me parece bueno compartir mi vida con otras personas.

Publicado por vitorsilva às 12:22 PM

julho 01, 2004

definitivamente alter-globalização

quando posso ver as fotos que a minha irmã tirou no dia anterior e me enviou por email desde o interior de África, quando posso falar por telemovel com o meu tio que está em trás-os-montes, quando posso escolher em casa a loja online que vende o livro mais barato, quando em segundos sei o que se passa no fim do mundo ou no fim da rua, como posso ser contra a globalização no que ela tem de bom? eu acho que é impossível.
no entanto não tenho como adquirido que a forma como esta globalização está a ocorrer é a melhor, seja a nivel económico, social ou ambiental e obrigado Peter Singer por neste livro "Um Só Mundo: A Ética da Globalização" demonstrares isso mesmo.
O título do livro reflete exemplarmente a mensagem do livro. O mundo é um só e os seus problemas têm que ser pensados de uma forma global, "think global, act local" já diziam os ambientalistas nas décadas de 70/80 e cada vez mais essa necessidade é visivel.
Peter Singer divide o seu pensamento em quatro áreas: ambiente; economia; lei; comunidade; e para além de demonstrar a necessidade de pensar cada uma dessas áreas de forma global/mundial, demonstra também como elas se interligam entre si.
O livro pode por vezes parecer demasiado académico com a profusão de exemplos e referências a outros artigos ou livros mas a explanação exaustiva destes temas agradou-me pessoalmente, já que abordou questões que eu já me tinha posto mas que nunca tinha conseguido responder, nomeadamente a questão do poluidor/pagador, como equilibrar a relação direitos humanos / tradições culturais, relações (normalmente tortuosas) entre economia / ambiente, etc.
brevemente voltarei a este livro, sem dúvida de leitura obrigatória.

Publicado por vitorsilva às 10:53 PM

junho 24, 2004

oliveira

Esta oliveira, bimilenária, pode admirar-se no Concelho de Tavira, Freguesia de Santa Luzia, aldeamento turístico das Pedras D´El-Rei, local antiquíssimo muito próximo da povoação Balsa e onde se têm encontrado muitos vestígios dos povos primitivos e nomeadamente de gregos e romanos.
A oliveira é muito grande. Apresenta uma copa com uma altura de 7,70m ; o diâmetro maior mede 11,80m e o menor 9,82m. O tronco, todo esburacado, tem uma altura de 1,52m de altura e o diâmetro mede 3,60m na base e 2,42 à altura do peito. São precisos 5 homens para abraçar o perímetro deste tronco que mede 7,75m apresentando uma coroa circular como se de uma porta se tratasse com 40cm de largura dando entrada para uma "sala" circular com 1,30m de diâmetro. Ao lado desta porta desenvolveu-se um zambujeiro, planta espontânea em que é usualmente enxertada a oliveira.
Esta oliveira é uma das 142 árvores, isoladas, que estão classificadas pela Direcção-Geral das Florestas como de interesse público.
Lamego alberga a segunda árvore mais velha, do nosso país: um castanheiro («castanea sativa miller») com 742 anos, que sobrevive, em muito mau estado e pertence à Irmandade da Senhora dos Remédios.
Bragança tem uma árvore com 700 anos --- é a terceira mais idosa do País e pertence à espécie «taxus baccata». O proprietário deste exemplar é o Albergue Distrital de Bragança.
Na Guarda, há 517 anos que existe um castanheiro, («castanea sativa miller»), ainda hoje em bom estado, pertença da Junta de Freguesia de Pêra do Moço.
(retirado daqui)

Publicado por vitorsilva às 06:01 PM

junho 11, 2004

Passear no Shopping

Exposição "Campo Português" presente no Silo - Norteshopping
Hans van der Meer

"(...) Normalmente prefiro fotografar jogos das divisões inferiores. Os amadores podem ter menos talento, mas compensam esse facto com uma enorme paixão pelo jogo. Os dramas dentro das quatro linhas são reais, pois são o resultado de frustrações e sonhos por realizar. Houve sempre um momento nas vidas destes jogadores em que tiveram de compreender que nunca chegariam a jogar na Liga dos Campeões.
Ao trabalhar neste projecto no Porto e arredores, senti que aqui se respira futebol em todo o lado. Também neste canto da Europa existe uma longa tradição de futebol, com os seus campos característicos. Gostei sobretudo dos que ficam no meio de um bairro, que fazem esquina com a casa onde vive a familia do senhor que trata do campo, e onde a roupa é lavada e se põe a secar.
A importância destes lugares na vida social dos bairros é enorme. Esperemos que os especuladores imobiliários percebam também que estes metros quadrados significam muito mais do que apenas mais uns zeros nas suas fortunas."

Publicado por vitorsilva às 11:57 AM

junho 07, 2004

centi(metro)

ontem cumpri o meu dever de portuense, fui dar uma voltinha no metro para ver o novo troço trindade-estadio do dragom e acho que percebi a razão dos assobios ao zé manel no dia anterior. é que ainda estava tudo nos últimos arranjos.
estações a cheirar a pó que doía, sinalética ainda por colocar, passeios por arranjar, uma ou outra escada rolante por funcionar... costuma-se dizer que quem quer se respeitado dá-se ao respeito... pois não é com estas iniciativas de inaugurações fora de tempo que se ganha o respeito das pessoas... e tu rio, sempre tão certinho e alinhaste nesta inauguração da treta?
continuando...
alguma sinalética pareceu-me um pouco insuficiente... as indicações da saída num verde esbatido sob parede cinzenta clara ou azulejo mais ou menos do mesmo tom não me convencem mas temos também um momento de humor na estação da trindade (ligeiramente arrumada) com um placard onde devia dizer cais um mas alguém pos o "a" ao contrario e lê-se ceis um. será uma referência subliminar a algum jogo de futebol memorável?
a estaçao do campo 24 de agosto é uma desilusão... espero que não seja só aquilo, isto é, 3 vitrines mal amanhadas sem iluminação com umas peças de cerâmica e uma arca de água interessante sim mas que parece que tanto podia estar ali como noutro sitio qualquer.
a estação do dragão é interessante com muita luz e uma espécie de anfiteatro curioso. realmente, para quem puder, vai valer a pena passar a ir aos jogos de metro.
claro que não dá para comparar as estações do (centi)metro do porto com as do metro de lisboa. pelos vistos cá para cima apostou-se num minimalismo (que até acho que resulta) agradável (ou então não havia dinh€eiro) enquanto que na capital temos na maior parte das vezes uma componente artistica muito vincada.

Publicado por vitorsilva às 12:04 PM

maio 11, 2004

ost2

nirvana, pearl jam, temple of the dog, soundgarden, faith no more, mudhoney, stone temple pilots, smashing pumpkins, etc... tudo começou, para mim claro, com nirvana e pearl jam, depois as outras bandas apareciam naturalmente, por causa do hype que se gerou, por causa da sonoridade apelativa, porque quem me fornecia conteudos ;) estava nesta onda, etc, etc. ainda gosto de ir ouvindo nirvana, nao sou fanatico por pearl jam (outro bloguistas daqui têm esse exclusivo) mas aprecio, fiquei-me pelo superunknown do soundgarden e pelo Angel Dust dos faith no more dos quais relembro o concerto no pavilhão do bessa em 1993 (penso eu), interessante também Siamese Dream dos smashing e dos mudhoney... bem nao consigo citar de cor nada deles... seguidamente seguir-se-iam certamente outras sonoridades mais sonicas mas isso fica para outro dia. sonoridades cortesia jorge, nunoP, speculare mais referencias por aqui

Publicado por vitorsilva às 11:34 PM

maio 05, 2004

ost1 - yo

bem-vindos ao apogeu da velha guarda do gangsta rap.
com og original gangster ice t, fez algum furor em 91/92 mais ao menos pela altura dos motins de LA.
uma cassete manhosa que me passou pelas mãos nessa altura deu-me a conhecer esse som, que para além da sonoridade relativamente desconhecida para mim trazia mensagens de revolta contra algo que nao me dizia nada como guetto, gangs, color codes, drive-by shootings, etc e que provavelmente por causa disso tanto me encantava.
nada como um cassete vhs com 4/8 h de yo mtv raps (quando a mtv era só por satélite e ainda era a versão americana) para entrar na onda, public enemy, house of pain, naughty by nature, cypress hill, sir mixalot, and so on.
mistura ecletica mas necessaria para quem estava a conhecer o mundo do rap. referencias portuguesas só mesmo com o general d (cadê ele? bem, mas também... who cares...). claro que tanta falta de acesso a conteudos também me levava a aceitar com alguma naturalidade outras xaropadas do tipo (podem começar a rir) mc hammer ou (agora podem começar a rebolar pelo chão) vanilla ice.

sons cortesia isac, jorge, fernando
links maravilha: allmusic

Publicado por vitorsilva às 10:40 PM

maio 03, 2004

agradavel

fui na sexta ver o Maria e as Outras num cinema a um décimo da lotação total. nada de estranho (basta ver alguns comentarios neste mesmo pasquim.
é um filme agradavel assim do tipo nem insosso nem salgado, mas no final um bom entertenimento... se calhar por 4,5€ ou lá quanto custam os bilhetes hoje em dia é capaz de ser um bocado desperdicio mas se tiverem algumas promoções para gastar e a escolhe se puser entre este filme e algumas charopadas amaricanas do tipo à dúzia é mais barato, scooby doo 2 e quejandos entao façam um forcinha e promovam o cinema português.
alguns comentarios no 7arte
"Um filme português que não é pior que muitos estrangeiros pela dramaticidade de histórias que todos nós conhecemos"
"Quase que poderíamos dizer que se trata de uma espécie de retrato da vida actual, mas que acaba por centrar-se basicamente no plano das afectividades e das relações que se tentam estabelecer."
site (ranhoso) aqui

Publicado por vitorsilva às 11:46 AM

abril 27, 2004

onanismo

ainda há pouco tempo ouvi o antónio pinho vargas, referindo-se a alguma música contemporânea, que ela não era mais do que uma masturbação intelectual dos autores e se calhar é assim que devemos olhar para the brown bunny.
autobiográfico, narcisico ou egocêntrico, não sei bem qual a palavra que melhor se aplica, este filme mostra-nos mais um bocado de vincent gallo.
de uma forma muito simplista, depois de buffalo 66 e a sua depressiva relação com a familia e a sua cidade, agora temos vincent gallo e a sua depressiva relação com as mulheres e com a familia...
muito boa a fotografia (será que ele é apreciador das lomo?) embora por vezes ficasse a sensação que em vez de um filme estavamos a ver um conjunto de fotografias (muito boas) que tinham umas animações entre elas.
também gostei da perspectiva de américa que nos é mostrada pelos bairros e estradas do país , muito longe do glamour de qualquer blockbuster mixuruca onde está sempre tudo a brilhar.
claro que tudo isto ganha um novo significado quando ao nosso lado temos alguém que durante o filme vai dizendo: que seca, que cena estúpida, que nojo de filme, ainda falta muito? :D
mais informações e outras opiniões aqui

Publicado por vitorsilva às 10:03 AM

abril 19, 2004

essays on design1

compilação de ensaios, entrevistas e conversas de diversos membros da
Alliance Graphique Internationale como Saul Bass, Armin Hofmann, Takenobu Higarashi, Wolfgang Weingart, etc. aqui discorre-se sobre o papel social do designer, ensino de design e sobre o papel de outros designers. muito interessantes o artigos sobre a Bauhaus (The Bauhaus Vision, Félix Béltran), as visões pessoais de vários designers sobre a sua profissão (Transforming the Ordinary, Saul Bass; What I Think about graphic design) e algumas perspectivas históricas (Graphic Design in
Italy: from the sixties to the eighties, Mimmo Castellano)
mais informações aqui

Publicado por vitorsilva às 09:42 PM

abril 13, 2004

Belleville


boa historia, bons desenhos, boa banda sonora
mais bd animada que filme de animação... digo eu... que nao percebo nada disto.
gostei como a animação tradicional foi integrada (pareceu-me) com alguns apontamentos de animação digital
a história é divertida no seu estilo surreal e um bocado tétrica :D
recomendo

mais info aqui e aqui

Publicado por vitorsilva às 02:24 PM

março 22, 2004

Coisas que ficam bem na estante, a BD e o Design Gráfico

Este artigo que faz uma relação entre a BD e o Design Gráfico, foi escrito por Mário Moura, e saiu na revista Satélite Internacional nº2.
O próximo número da Satélite Internacional sairá em Abril e o tema será "A palavra e a BD".

Os últimos dois anos, tenho dedicado uma prateleira da minha estantes a ‘Lone Wolf Cub’ um clássico da bd histórica japonesa, sobre a odisseia de um Samurai em desgraça e do seu filho. Cada mês – mais ou menos – a Dark Horse Comics edita um volume de trezentas páginas num formato habitualmente dedicado a dicionários ou guias de viagem: uma coisita pequena e branca, que fica bem na preteleira e custa tirar de casa – pode-se sujar, podemos perdê-lo, etc. Sempre que alguém, vem pela primeira vez a minha casa, os livrinhos brancos são sempre remexidos ou comentados – e nem sequer estão muito ao alcance da mão, empoleirados no cimo de uma estante. São objectos discretamente bonitos. Dá vontade de lhes pegar.
Em vez de dedicar mais um artigo a ‘Lone Wolf & Cub’, já bastante bem servido nesse aspecto, penso que convém dar uma palavra de mérito aos designers gráficos de certas banda desenhadas americanas e não só: Chris Ware – mais conhecido pela sua ‘Acme Novelty Library’, mas que também fez o design da reedição de ‘Krazy Kat’ de George Herriman; Chip Kidd – designer (e autor) de uma quantidade de sumptuosos (é a única palavra que os consegue descrever) livros sobre super-heróis; Ben Katchor – o seu álbum ‘The Jew of New York’ faz qualquer designer corar de inveja; a maioria das edições da Drawn & Quarterly e os últimos álbuns de Daniel Clowes, em particular ‘20th Century Eightball’, editado pela Fantagraphics.
Mesmo em Portugal, a qualidade das reedições de BD estrangeira tem melhorado a olhos vistos e os álbuns e revistas de autores nacionais são, desde há já algum tempo bastante cuidadosos do ponto de vista gráfico.
Em contrapartida, nas publicações sobre design, a BD começou a ser um assunto recorrente. As semelhanças entre os dois géneros têm sido regularmente apontadas; autores e teóricos da BD são estudados e citados em textos e bibliografias sobre design. Este interesse pode parecer inevitável e óbvio, mas é o culminar de uma centena de anos de afastamento entre duas disciplinas que lidam essencialmente com o mesmo meio e os mesmos recursos formais. A razão mais plausível para esta situação é a conotação infantil das histórias ao quadradinhos. Em termos práticos, o designer só recorria à BD em manuais de instruções para pessoas iletradas ou para obter efeitos cómicos em anúncios. De resto, as pretensões do design gráfico à respeitabilidade do mundo da arte também não ajudavam: este ultimo via a BD como uma expressão popular, anónima e vernacular a que podia recorrer como fonte de imagens sem se preocupar com os irritantes direitos de autor. O próprio design era também alvo deste tipo de “homenagem” duvidosa, mas, pelo menos, a sua ligação ao mundo do marketing, da actividade editorial e empresarial dava-lhe um ar sério que a BD não conseguia alcançar. No entanto, e talvez por causa da “respeitabilidade” mercantil a que era obrigado, o designer sempre teve dificuldades em assumir um discurso totalmente pessoal, uma voz própria, uma autoria. Ou seja, sempre houve designers com um estilo próprio, mas fazia parte da natureza do oficio por esse estilo ao serviço dos conteúdos fornecidos por um cliente. Desta maneira, uma das principais diferenças entre o autor de BD e o designer era a possibilidade do primeiro criar as suas próprias narrativas, os seus próprios conteúdos, estando o segundo sujeito a uma ética de divisão de trabalho que separava o criador de conteúdos do criador da sua apresentação gráfica. Poder-se-ia argumentar que a BD recorre também a uma divisão de trabalho entre argumentista, desenhador, etc., mas esta tem um teor fundamentalmente diferente da relação cliente/serviço assumida pelo design tradicional.
O aparecimento de trabalhos onde o designer exprimia as suas ideias viria abalar a ética desta relação. Um exemplo prematuro deste tipo de obra foi o livre ‘The Medium is the Massage’, uma compilação ilustrada de textos de McLuhan, realizada pelo designer gráfico Quentin Fiore e editada em 1967. O impacto do livro está bem patente neste excerto do texto ‘Massaging the Message’ da autoria de Ellen Lupton e Abbot Miller:
“O design de ‘The Medium is the Massage’ é ao mesmo tempo inventivo e erudito. Fiore recorda-se do livro ter poucas palavras por página, e por não ter prefácio ou índice. Na altura, foi dito a Fiore que ‘os livros verdadeiramente sérios deviam ter pelo menos uma polegada e três quartos de lombada’. As pessoas na ‘indústria da palavra’, como Fiore descreve o mercado editorial, ‘exigiam palavras, muitas palavras – todas impressas em boas páginas cinzentas’. Para os produtores de livros tradicionais, ‘The Medium is the Massage’ era ameaçador: ‘A reacção desses designers com um sentido moralista altamente desenvolvido era que o livro era ‘manipulativo’.”
Mais recentemente, a vulgarização do computador pessoal, a partir de meados da década de oitenta permitiu ao designer centrar na sua pessoa uma série de responsabilidades outrora distribuídas por uma verdadeira cadeia de produção industrial. Ele podia agora controlar não só a disposição geral dos elementos da página e as fontes usadas, mas o próprio arranjo tipográfico pormenorizado do texto e o tratamento das imagens, tudo isto no conforto da sua casa, mantendo um contacto mínimo com a produção final na gráfica. O design tinha alcançado a possibilidade de se tornar uma actividade intimista e individual. Naturalmente, a situação alteraria a percepção dos designers sobre as suas competências e possibilidades expressivas dando origem a trabalhos até aí impensáveis.
A Narrativa Gráfica é um desses novos géneros. Frases ou palavras, breves e contundentes, sobrepostas a imagens fotográficas, geralmente uma por página, tratam de temas frequentemente sociais e políticos, às vezes íntimos e pessoais. Os encorpados tratados de Bruce Mau (‘Life Style’ e ‘S, M, L, XL’), a revista anti-globalização “Adbusters”, os diversos livros do colectivo Tomato, o livros ‘Experience’ de Sean Perkins são exemplos possíveis desta estética que entretanto transitou para o mundo da moda e da publicidade, numa forma mais inócua. Nestes trabalhos, o designer assume a posição de autor, ou pelo menos documentarista, tentando alertar o público através de um discurso marcadamente pessoal, em assumido contraste com o carácter genérico e desumanizado da sociedade de consumo. As fotografias usadas são geralmente da autoria do próprio, sem tratamento que disfarce o seu carácter amador, que chega por vezes a ser enfatizado: clarões de flash, olhos vermelhos, tonalidades acastanhadas de má fotografia nocturna, enquadramento discretamente desadequado; fotogramas televisivos ou imagens impressas com o pixel ou o grão bem à vista, atestando o seu carácter de recolha documental. Resumindo, imagens e textos crus, aforísticos, urgentes e pessoais, o equivalente contemporâneo das obras socialmente empenhadas de Barbara Kruger e dos já referidos ensaios visuais de Quentin Fiore, sobre textos de McLuhan (‘The Medium is the Massage’) e Buckminster Fuller (‘I Seem to be a Verb’).
É possível estabelecer diversas comparações formais entre as narrativas gráficas e a banda-desenhada, mesmo que por oposição. Nos exemplos que demos mais atrás, apesar das narrativas gráficas usarem texto e imagem para contar uma história, fica a sensação que o designer quer escapar à possível confusão com um foto-novela ou banda-desenhada. Raramente é usada mais que uma imagem por página, e quando isso acontece recorrer-se a uma grelha simples, ortogonal, com divisões uniformes. Nada da proliferação de quadradinhos de tamanhos desiguais e percursos de leitura intrincados. As frases são praticamente slogans, neutras, sem tom ou ironia, brancas, sobrepostas ou justapostas às imagens como se fosses legendas de filmes. O carácter genérico e geométrico da fonte serve de contraponto à realidade das imagens fotográficas, estando texto e imagem em níveis diferentes.
Em BD, o texto é produzido manualmente (ou usando fontes caligráficas) e inserido em balões, legendas ou localizações específicas da composição que permitem a sua contextualização imediata. Embora a técnica seja uniforme, o texto raramente se confunde com os desenhos (mesmo nas onomatopeias que são graficamente bastante identificáveis) estabelecendo igualmente níveis distintos para informação textual e para as imagens. A necessidade de manter uma narrativa fluida implica o uso de apenas uma fonte, sem grandes variações, quer na BD, quer nas narrativas gráficas. A opção de uma fonte caixa alta, sem serifas (caligráfica no caso da BD – a chamada “letra de imprensa”) é a opção mais comum. Na BD, o uso de fontes assumidamente tipográficas é usado para sugerir diferentes línguas (alemães falando numa fonte gótica), sonoridades (um robô fala numa fonte de aspecto electrónico, tipo OCR ou rádio-despertador) ou personalidades (um cobrador de impostos com balões de fala imitando formulários).
Em anos recentes, a edição electrónica permitiu à BD escapar-se à necessidade de usar fontes cursivas, no entanto, estas permanecem, o que sugere mais do que um simples imperativo técnico. Geralmente, quando a tipografia é maior e o formato das vinhetas são mais variáveis a atenção do leitor tende a decrescer. Ainda não foi feito um estudo aprofundado do uso da tipografia no contexto da BD, o que poderia esclarecer este assunto.
Tal como no design, o advento do computador possibilitou igualmente aos autores de BD um controle superior de todas as fases do processo de edição, o que é bem visível em alguns álbuns de Chris Ware, verdadeiras cavernas de Ali Bábá do design gráfico, onde podemos encontrar figuras de recortar, páginas com centenas de vinhetas, livros de montar incluídos dentro do próprio livro, numa profusão de pormenores intermináveis e hipnótica. Se esta abundância barroca dos trabalhos de Ware impede muitas vezes o leitor de entrar emocionalmente na história, a sua obra mais assumidamente gráfica por exemplo, a capa, contracapa, índice biografia de Frank King, na revista Drawn & Quarterly 3, formando pranchas de uma banda-desenhada, são peças que criam um ambiente intenso e mesmo pungente. Daniel Clowes utiliza o mesmo processo em ‘20th Century Eightball’, onde todos os pormenores da capa, contracapa, índice, citações de recomendação, dedicatória, preço e código de barras, são tornados elementos activos da inventiva história do “making of” desse mesmo álbum. Estes são apenas alguns exemplos de como os autores de BD começaram a aproveitar o aumento de liberdade editorial permitido pelo computador.
Concluindo, a BD e o design gráfico começaram a assemelhar-se, sobretudo quando usam um discurso mais pessoal. No entanto – e isto é apenas a minha opinião – ainda não vi nenhuma narrativa gráfica capaz de alcançar uma verdadeira voz na primeira pessoa, tão envolvente e complexa como as BDs autobiográficas e mesmo jornalísticas de Joe Sacco ( veja-se o caso de ‘Safe Area Gorazde’, sobre a guerra na antiga Jugoslávia e ‘Palestine’, sobre a vida nos territórios ocupados). Os casos que mais se aproximam são os livros ‘Maeda@Media’ e ‘Sagmeister – Made You Look’, livros de design que conseguem manter um discurso contínuo e estimulante ao longo de centenas de páginas, mas que podem ser encarados como literatura, largamente ilustrada, mas essencialmente literatura. No campo das narrativas gráficas mais arrojadas, sujeitas às convenções pós-modernas do costume, o discurso directo do autor converte-se ironicamente em apenas mais uma citação entre muitas.

Publicado por vitorsilva às 07:20 PM

março 20, 2004

Palmira à Dentada


já é o meu tradicional divertimento mensal a visita ao tertulia castelense para ver o teatro da pamilha dentada. nao é bem um teatro comico e também nao é bem um stand-up... é algo lá no meio.
percebem-se alguns trejeitos dos monty phyton, um bocadinho de herman (inevitavel já que durante mmmmuuuuuuiiiiiitttttoooooossssss anos foi o unico comico portugues com visibilidade) mas no geral é um teatro com personlidade propria.
talvez ganhassem em reduzir um pouco a duração do espectáculo, de qualquer forma nada como umas valentes gargalhadas para ganhar forças para outro mês.
nota: na antena1 todos os dias (antes das oito da manha e ao fim da tarde) dão uns soquetes deles, noutro estilo mas também divertidos.

Publicado por vitorsilva às 11:07 AM

março 15, 2004

Sitio do Picapau Amarelo


Confesso que pelo nome Monteiro Lobato nunca chegaria ao sitio mais famoso do brasil, o que é curioso é que pelos vistos (e confesso a minha completa ignorância) ele também teve um percurso militante muito interessante.

"Personalidade de múltiplos interesses, Lobato esteve presente nos momentos marcantes da história do Brasil. Empenhou seu prestígio e participou de campanhas para colocar o país nos trilhos da modernidade. Por causa da Revolução de 30, que exonerou funcionários do governo Washington Luís, ele estava de volta a São Paulo com grandes projetos na cabeça. O que faltava para o Brasil dar o salto para o futuro? Ferro, petróleo e estradas para escoar os produtos. Esse era, para ele, o tripé do progresso. "

mais info aqui

Publicado por vitorsilva às 05:04 PM

março 13, 2004

Longue Route

Mais um clássico.
Play Kurt Weill e L'Eau Rouge foram talvez os melhores albuns de Young Gods.
Charlotte, September Song, L'Eau Rouge são canções que ficaram na minha memória.
e ainda bem que temos o soulseek para as relembrar.

Publicado por vitorsilva às 07:20 PM

março 08, 2004

a type primer: john kane

um bom livro para quem quer ficar com algumas bases sobre tipografia.
começa com um sempre util glossário de termos. Claro que sendo um livro em inglês fica-se sempre com o problema da sua tradução para português. inclui um capitulo sobre a evolução da forma de imprimir letras que não começa necessariamente só com os tipos de gutemberg e integra essa evolução com os desenvolvimentos técnicos e necessidades específicas de comunicação dessas épocas. depois continua com uns capitulos onde se explora a forma das letras e se demonstra como tirar partido delas enquanto unidade individual.
a sequencia lógica é a exploração das palavras como conjunto de elementos tipograficos e como a sua disposição pode por si só transmitir determinada informação. finalmente é abordado (levemente) a questão das grelhas de paginação. um livro leve mas bom para quem se quer iniciar ou consolidar algum conhecimento.
gostei bastante da postura do autor que dá sempre enfase ao conteudo, ou seja: "Finally it is important that you never forget the intimate connection between typography and written language. Always respect the words."

http://www.art-book-reviews.com/A_Type_Primer_013099071X.html
http://www.design-bookshelf.com/Type/type_kane.html
http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/013099071X/102-8750042-9453702?v=glance

Publicado por vitorsilva às 09:36 AM

março 07, 2004

Quinta de Bonjóia


Um sitio agradável para um passeio de domingo.
Com um grande jardim e uma casa fantástica para visitar, e com aquilo que normalmente falta nestes sitios que é um cafezinho para recuperar as forças.
Disseram-me ainda que todas as quintas-feiras à noite há tertúlias com entrada gratuita. Nada como passar por para conhecer

Publicado por vitorsilva às 09:22 AM

março 05, 2004

same old same mold


ficou da altura do grunge e descoberta de sonoridades mais rudes / simplistas / estranhas (riscar o que não for) este disco de Lou Barlow & His Sentridoh

"The frontman for Sebadoh collected his previously released home recordings on this 23-song disc. The epitomy of lo-fi, most tracks are simply Barlow with a guitar or piano. The raw accompaniment complements his tender love songs perfectly, as on "Natural Nature" and "Spirit That Kills.""

Publicado por vitorsilva às 02:15 AM

fevereiro 18, 2004

Guarani

Mais um espaço recuperado na baixa do porto. Um bom sitio para tomar o café da manhã aos domingos.

Publicado por vitorsilva às 08:29 AM

fevereiro 02, 2004

Estou cansado, é claro, Porque,

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto -
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
De entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro Campos

Publicado por vitorsilva às 08:38 AM

janeiro 27, 2004

Olhos de Cão Azul

Esta colectânea de 11 contos cujas datas vão de 1947 a 1955 transporta-nos para o início da carreira de Gabriel Garcia Marquez.

Para quem já conhece a sua obra, este livro pode ser visto como uma introdução aos seus trabalhos posteriores, nomeadamente “Cem Anos de Solidão” que é passado no mesmo Macondo aqui apresentado em “Monólogo de Isabel Vendo Chover em Macondo” (1955).

A característica que mais sobressai em todos os contos deste livro é sem dúvida a forma como as histórias mais improváveis são contadas, como se, por exemplo, fosse absolutamente normal uma pessoa que já está morta continuar a ter consciência do que se passa à sua volta (“A Terceira Resignação”, 1947, o seu primeiro conto publicado no jornal “El Espectator”). No entanto, esta dimensão quase sobrenatural ou irreal destes contos é ultrapassada pela forma como eles nos são dados, e que tornam quase plausível que um homem e uma mulher combinem cada um nos seus sonhos, enquanto dormem, uma palavra para se encontrarem fora desses sonhos (“Olhos de Cão Azul”, 1950).

A lembrança, o sonho, ou o estado não consciente da mente humana, independentemente dessa mente estar num corpo vivo ou morto, humano ou animal, é o fio condutor dos diversos contos, talvez porque por essa altura tinha voltado à sua casa de infância, ou quem sabe, porque ainda procurava na sua mente a forma de contar a história de Macondo - “...Um novo esforço em perseguição da sílaba teria sido suficiente para que a palavra rebentasse, madura e brutal; para que saísse de chofre naquela água espessa, turva, da sua esquiva memória. Mas desta vez, como das anteriores, as peçasinhas dispersas, tiradas de um mesmo puzzle, não se ajustariam com exactidão para conseguir a totalidade orgânica, e ele dispôs-se a desistir para sempre da palavra...” (“Diálogo do Espelho”, 1949).

Olhos de cão azul
Gabriel Garcia Marquez
Quetzal Editores

Publicado por vitorsilva às 09:09 PM

novembro 05, 2003

Deus Face à Ciência

“...poderá a ciência por si própria negar a existência de Deus? Finalmente, é para responder a esta questão que este livro foi escrito.” É assim que se nos apresenta este “Deus face à ciência”, objectivo ambicioso mas no essencial falhado, se calhar também porque quem escreveu esse texto publicitário não percebeu bem o que o livro era ou se calhar porque também não é uma pergunta que tenha que ser respondida pela ciência.
Este livro parece-me sobretudo uma história do pensamento científico da igreja católica ao longo dos séculos com uma pequena e interessante anotação em relação a religiões orientais.
E é uma relação curiosa esta que se tem mantido entre a igreja e a ciência ao longo dos tempos, com a ciência a “obrigar” sistematicamente teólogos e crentes a procurar explicações para fenómenos que passam a ser explicáveis pelas leis da matemática e afins.
O livro começa com a história do processo de Galileu com uma interessante desmistificação da pessoa. Sobre o mesmo diz “... Galileu estava «cientificamente» errado, ao mesmo tempo que tinha razão no debate «filosófico», tanto no que diz respeito ao heliocentrismo como sobre a atitude da igreja”.
A atitude que se refere é a de negação sucessiva de factos através da conjectura de explicações mais ou menos literais quer da Bíblia quer dos testamentos numa postura que se calhar hoje nos parece mais familiar quando olhamos para fundamentalistas (que não só os islâmicos).
Esta forma de resolver as questões científicas “fez escola” e pode ser observada ao longo dos diferentes capítulos que abordam as questões da criação do universo (a eterna questão de onde vimos, para onde vamos, que tema mais religioso do que este que nos faz pensar na transcendência); as componentes da matéria (como tudo era fácil quando a palavra átomo tinha um significado literal); a idade da terra (e a contradição clara com os 4000 anos que a Bíblia propõe); e o aparecimento da vida (maior prova da existência de Deus... ou não agora nos dias da clonagem?).
E se esta primeira fase do livro nos leva pela história das relações entre a religião (essencialmente católica mas com uns pozinhos de outras) e a ciência, nos últimos capítulos é feita a análise comparada da evolução cientifica em diferentes partes do mundo: Ocidente (Europa e depois América da Norte), Índia e China. O objectivo é perceber porque razão hoje em dia o ocidente é normalmente considerado como o lugar onde a ciência mais prosperou. São dadas pistas interessantes através da influência da religião na sociedade em que as religiões orientais apelam mais ao conhecimento do próprio homem e portanto uma reflexão interior enquanto “para o judaico-cristão, Deus é o criador do Universo e os seus ensinamentos influem sobre o comportamento humano (...) Ao descrever a aventura humana como uma epopeia guiada pela mão de Deus, a Bíblia faz a ponte entre as religiões que estão voltadas para o cosmos (e as questões que põem sobre as origens) e as que estão viradas para o comportamento do homem no meio da sociedade.”
De qualquer forma lembra-nos ao mesmo tempo de afirmações célebres como “a ciência abafa a simplicidade evangélica” dita por Santo António ou “procuremos a vida antes da ciência”, Santo Ambrósio (que se calhar, digo eu, explica o quase nulo interesse pela ciência em Portugal) para concluir que acima de tudo questões económicas justificam o desenvolvimento da ciência no Ocidente.

Deus Face à Ciência
Claude Allègre
Universidade de Aveiro | Gradiva

Publicado por vitorsilva às 05:13 PM

outubro 08, 2003

No Logo

Sem espaço, sem escolha, sem emprego, sem marca

Este livro apanhou-me de surpresa, comprei-o por sugestão de um colega e porque queria confirmar se não se tratava de mais um livro escrito por alguém com preconceitos contra as grandes corporações e cheguei à conclusão que afinal eu é que estava cheio de preconceitos. Acho que, tendo em conta os capítulos iniciais do livro, posso ser um bocadinho desculpado.

Esta fase inicial é quase um livro de história da gestão empresarial dos últimos 50 anos descrevendo a forma como muitas multinacionais se procuraram “transcender” passando de empresas de produtos para empresas de marcas. Conseguem assim concentrar-se não só naquilo que pelos vistos fazem melhor (marketing) como também deixarem de se preocupar com problemas potenciais como construção de fábricas, emprego de pessoal, etc.
A forma como fazem essa transição, através de fortissimos investimentos em publicidade, mais ou menos agressiva, seja através do patrocinio de eventos culturais, seja comprando cidades inteiras de forma a transmitir melhor a sua imagem, ou mesmo copiando o estilo das ruas numa atitude “even better than the real thing” torna as marcas tão omnipresentes que se torna dificil encontrar espaços fisicos e virtuais que não estejam de alguma forma relacionados com essas marcas.
A passagem do paradigma empresa de produtos para empresa de marcas não é por si só perniciosa ou criticável e era isso que ao inicio me estava a deixar um bocado “descrente” no conteúdo do livro, o que é criticável é a forma como essas empresas rapidamente adoptam posições socialmente inaceitáveis e ambíguas.

Após a apresentação do percurso evolutivo das grandes multinacionais, é feita uma reflexão sobre o poder que estas grandes empresas têm ao nível do normal fluir de informação e os problemas éticos levantados pela criação de grandes conglomerados empresariais que, por exemplo controlam um processo produtivo desde a extracção até a venda, ou a produção de conteúdos mediáticos desde os eventos até à publicação. Esta é uma situação potencializadora de conflitos éticos que levam à pior forma de censura, a auto-censura, já que uma empresa não irá concorrer contra outra do mesmo grupo assim como um jornalista terá certamente uma maior dificuldade em fazer uma peça que de alguma forma afecte a empresa ou grupo para o qual trabalha.

O problema do emprego é também focado devido à forma como foi afectado pela busca incessante de preços mais baixos e pela estratégia de desresponsabilização social que as empresas procuravam. Esta estratégia, como o objectivo de permitir focalizar as empresas no seu (novo) core business, o marketing, assenta no aumento do outsourcing e subcontratação, eliminando assim um valor elevado de custos, assim como cortando pela raiz eventuais problemas criados por sindicatos ou trabalhadores descontentes. Só que, em sistemas dinâmicos, a eliminação de um problema leva normalmente ao aparecimento de outros, e o que se verifica é que os chavões económicos de que a deslocalização de unidades produtivas para países mais atrasados e com menores custos de mão-de-obra irá eventualmente fazer aumentar o poder de compra dessas populações, desenvolvendo assim o seu, país consegue, isso sim, fazer renascer nesses países condições de trabalho que não se viam no mundo ocidental desde o inicio do século XX, através das péssimas condições de trabalho, com salários por vezes abaixo do custo de subsistência (há empresas que só aceitam estabelecer-se num país se poderem pagar menos que o salário minimo), ou pela recusa de direitos como o de associação (que por acaso faz parte da declaração de direitos do homem), sempre numa busca pelo custo mais baixo de produção. E dado que já se passou dos tigres asiáticos, para a américa central, para as ilhas do pacífico e para a china quem sabe (digo eu) quando chega a hora da áfrica entrar neste jogo?
A questão da ambiguidade de actuações verifica-se quando empresas que conseguem banir produtos de supermercados porque não se enquadram na sua visão do que deve ser um produto familiar ou que obrigam artistas a mudar os seus trabalhos de forma a não ferir susceptibilidades e que têm volumes de vendas superiores ao pib de muitos países, não se esforcem realmente por obrigar as empresas que subcontratam a oferecer melhores condições áqueles que, indirectamente, são os seus empregados.

Todos estes pontos, bem como as formas que muitos dos chamados militantes anti-globalização tem encontrado para tentar combater estas situações são descritos de uma forma exaustiva, com bastantes referências a outras fontes que vale a pena explorar. É um livro, na minha opinião, que em vez de te tentar convencer que esta ou aquela forma de agir ou de pensar as coisas em abstracto é mais ou menos aceitável, te conduz, através de factos concretos à formação de uma opinião.

No Logo – O Poder das Marcas
Naomi Klein
Relógio D’Água

Publicado por vitorsilva às 12:49 AM

outubro 06, 2003

Israel, Palestina – Verdades Sobre um Conflito

Comentário escrito inicialmente em 28-Set-2002

Nesta altura em que os EUA fazem da questão Iraque a panaceia para todos os males do mundo já mais do que uma pessoa alertou para a maior importância da resolução da questão israelo-palestiniana. É por isso uma boa altura para ler o livro “Israel, Palestina – Verdades sobre um Conflito”. Este livro, escrito pelo redactor-chefe do Le Monde Diplomatique pretende dar uma visão imparcial história deste conflito que, afinal, já tem quase um século pois foi em 1917 que o governo inglês, então potência administrante da Palestina, declarou pela primeira vez o seu apoio ao estabelecimento na palestina do povo judeu.
Não posso avaliar da imparcialidade do autor, já que não conheço assim tão bem esta realidade, diria talvez que é tendencialmente pro-palestino mas não anti-israelita. De qualquer forma explica a evolução dos acontecimentos durante o sec. XX sendo por isso um livro essencial a quem quer perceber a base desta guerra aparentemente interminável.

Quando hoje se pensa na Palestina/Israel vemos por vezes a questão do território como uma questão do género o ovo e a galinha, ou seja qual é que apareceu primeiro, ou, neste caso, quem é que ocupou primeiro o território. No entanto aqui as coisas são bastante claras, os árabes já lá estavam.
Podemos começar por tentar avaliar a situação com os olhos do homem colonizador do fim do século XIX, início do século XX que via o homem não europeu ou americano como um “selvagem” que precisava de ser ajudado a encontrar o caminho da ocidentalização. Isto levava a que se olhasse para o território palestino (mesmo já estando ocupado) como algo que estava a ser subaproveitado pelos povos mais “atrasados” que já lá estavam fixados e que, portanto, não seria nenhuma invasão a entrada de um povo visto como mais ocidental - superior - para essas terras.
A Grã-Bretanha, potência administrante, facilitou então o processo de “anexação” da Palestina pelos judeus.
No início dos anos 20 já tinha sido criada uma entidade judaica com o objectivo de organizar e fomentar a imigração bem como promover a aquisição de terras onde posteriormente era encorajada a utilização de mão-de-obra exclusivamente judaica. A inexistência de uma organização palestina que representasse as diferentes facções criou grandes dificuldades para que a sua voz fosse ouvida num ambiente já de si adverso.

Em 1937, na sequência do crescimento do sentimento de revolta palestiniano a Grã-Bretanha, ainda mediadora do conflito propõe a divisão da Palestina em 2 estados independentes, mantendo-se Jerusalém sob o mandato britânico.
Todos nós já ouvimos este tipo de propostas nos dias que correm, e provavelmente soam-nos razoáveis, mas será que nós acharíamos razoável que um país qualquer decidisse invadir o nosso e depois propusesse resolver as coisas ficando “apenas” com metade do que tinha invadido?
Naturalmente esta proposta resultou em violência árabe contra quer forças britânicas quer colonatos judeus.

Entretanto acaba a 2ª Guerra Mundial e torna-se insustentável à comunidade internacional rejeitar as pretensões judaicas de ter um estado próprio. A pressão vai aumentando à medida que os sobreviventes dos campos de concentração que, certamente, prefeririam ir viver para os EUA ou outros países europeus (desejos esses recusados) se encaminham para a sua terra prometida, “alimentando” demograficamente o seu país. Esta pressão demográfica inverte definitivamente o rácio judeus/árabes no território palestino criando uma situação de facto de domínio judeu.
A ONU entra finalmente em cena em 1947 depois da Grã-Bretanha se declarar incapaz de resolver o problema, só que tudo joga contra os palestinianos: as suas divisões internas; o drama judaico pós 2ª Guerra Mundial; ou a visão ainda colonialista que vê o progresso judaico como o caminho a seguir por oposição à tradição árabe.
O resultado é uma resolução que propõe a divisão do território numa proporção de 55% para um estado judaico e o restante para os palestinianos. Sob pressão dos EUA a resolução é aprovada.
Neste cenário está tudo a postos para a primeira guerra israelo-árabe, uma guerra que lança o mito da invencibilidade e do poderio militar israelita.
Como qualquer mito, este também vive de verdades e equívocos. O principal tem a ver com o facto de Israel defrontar todos os países árabes ao mesmo tempo, quando o que se passou, isso sim, foi que cada um dos países árabes tinha a sua agenda e os seus objectivos, a Jordânia por exemplo queria uma parte do Palestina e “alinhava com os israelitas para esmagar os palestinianos”; outros países tinham outras ambições ou viam o problema palestiniano como um pormenor pouco importante nas relações com os seus vizinhos.
Por outro lado para além da organização, o exercito israelita era mais numeroso que o total de forças árabes no teatro de operações.
Finda a guerra Israel passa a ocupar 78% da Palestina.

O problema Palestina vai-se arrastando assim ao sabor das diferentes estratégias dos países interessados: Israel, países árabes, EUA, Europa. Só que o médio oriente é uma zona demasiado instável para que qualquer um dos intervenientes possa fazer algo de verdadeiramente revolucionário no sentido da resolução do conflito, e a aplicação prática da real politik leva ao aparecimento a médio prazo de contradições que torna ainda mais difícil a resolução dos problemas como se pode ver em situações como o Afeganistão ou o Iraque inicialmente apoiados pelos EUA e agora convertidos no “eixo do mal”.
Entretanto, e para a geração que desde sempre viveu em campos de refugiados submetida ao poder discricionário israelita, o sentimento de revolta é natural. Já o diz a “declaração francesa dos direitos do homem e do cidadão de 24 de Junho de 1793: «Quando o governo viola os direitos dos povos, a insurreição é para o povo, e para cada sector popular, o mais sagrado e inalienável dos direitos»”. Certamente que não estariam a pensar em atentados terroristas na forma que os conhecemos hoje.
A fórmula para resolver este problema é certamente muito complexa e implicará que quer uma parte quer outra abdiquem de muitas reivindicações. A questão que se levanta é se será que ainda falta muito para chegarmos ao ponto de não retorno.

Várias questões paralelas ficam no ar: o porquê da necessidade de um estado para uma religião?; porquê manter ainda hoje um estada não laico?; de que forma o holocausto tem sido usado como justificação de alguns actos judaicos?; não poderão algumas acções de repressão israelitas ser classificadas como crimes de guerra ou violações aos direitos humanos?; não terá a necessidade de território e a forma como Israel o tem conquistado uma semelhança com a invocação do espaço vital que Hitler fazia?;


Israel, Palestina – Verdades Sobre um Conflito
Alain Gresh
Campo das Letras.

Publicado por vitorsilva às 03:01 PM

outubro 02, 2003

4 contos de puchkine

Autor de poesia revolucionária, poemas românticos e dramas históricos, este livro é representativo do ecletismo de Puchkine, não só no que diz respeito à forma (o conto por oposição à poesia ou ao romance) mas também no que diz respeito ao conteúdo.
Embora sempre centrado na sociedade russa, cada conto explora um aspecto particular dessa sociedade, transportando-nos facilmente para o início do século XIX através da sua escrita fluida. Essencialmente trata-se de um livro com quatro boas histórias que se lêem num fôlego.

A pessoa
Romanesca é o mínimo que podemos dizer da vida de Puchkine.
Nascido em finais do século XVIII (Moscovo, 26 Maio de 1799), filho de pai nobre e de mãe descendente de príncipe abissínio, teve o privilégio de ter a melhor educação possível na Rússia da altura ganhando rapidamente notoriedade através dos seus escritos.
Embora bon-vivant, os seus poemas de carácter revolucionário onde exaltava à liberdade e criticava figuras públicas valeram-lhe alguns anos de exílio (1820-1826) que, no entanto, foram aproveitados para desenvolver mais algumas das suas obras.
Em 1826 o novo czar Nicolau permite que Puchkine regresse a Moscovo. Aqui, embarca na procura de uma esposa, que, diz-se, teria de ser não menos do que a mulher mais bonita da Rússia. Essa beleza viria a ser, no entanto, decisiva