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março 19, 2004
Design of Everyday Things #3
Ao longo dos tempos o ser humano foi adoptando algumas estratégias que lhe permitem lidar com a enorme quantidade de informação com que têm que lidar diariamente. E não se pense que é um problema de somenos, basta olhar à nossa volta e apreender o que está por trás de coisas tão triviais quanto usar uma caneta (como seleccionar a cor pretendida por exemplo?), ligar as luzes de um carro (problemático quando saltamos de um carro para outro), seleccionar um número no telemóvel, fechar uma torneira (é para a direita ou para a esquerda?), etc.
Uma forma de ultrapassar esse problema é contar com as “instruções” que o ambiente que nos rodeia nos fornece. Assim se calhar para fechar uma torneira eu vou rodar o manípulo, para seleccionar o número do telemóvel vou seguindo as instruções que ele me dá e assim sucessivamente.
Podemos portanto contar com um conjunto de “meta-informação” que nos é fornecida pelos próprios objectos ou situações com as quais somos confrontados.
Este tipo de abordagem no entanto só é possível na medida em que na maior parte das vezes não é necessário garantir um elevado grau de fiabilidade nessas acções. Imaginemos que a torneira que queríamos fechar comandava uma comporta de uma barragem... se calhar já não íamos usá-la da mesma forma do que a torneira da cozinha... isto é não nos íamos dar ao luxo de confiar somente naquilo que nos parece que deve ser o comportamento adequado para aquela situação (e que pode ser induzido pelo próprio objecto) mas certamente iríamos recorrer a conhecimento específico que previamente tínhamos adquirido.
Há portanto duas perspectivas, a utilização da informação que o próprio ambiente nos fornece e que conjuntamente com os constrangimentos (constraints) naturais e culturais nos permite uma induzir o que devemos fazer (embora tendo em conta a questão da fiabilidade dessa informação) (ver também artigo sobre mapeamentos naturais http://www.usabilidade.com/artigo.asp?id=362); ou o uso de informação previamente apreendida e que guardamos convenientemente no nosso cérebro.
Claro que para podermos usar informação que já recolhemos temos que a guardar primeiro, e esse por vezes é o principal problema.
Uma das necessidades que impomos à nossa memória é a de guardar informação que, por si só, não é relacionável com nada, como por exemplo um número de telefone ou numero de bilhete de identidade ou a combinação de teclas para fazer aquele passe maravilha no pes3. normalmente resolvemos este tipo de problema decorando simplesmente a informação, podemos eventualmente recorrer a fórmulas onomatopeicas (por exemplo um numero soa a determinada musica que se gosta) ou definir relações mais ou obscuras entre partes da informação (por exemplo os dois algarismos números são o dobro de um terceiro algarismos).
Mas para além do simples decorar recorrendo a artefactos mais ou menos obscuros, o nosso cérebro já percebeu que tudo se torna mais fácil se conseguir encontrar relações entre algo novo que se quer memorizar e conhecimento já disponível na nossa base de dados. Este tipo de operação normalmente passa pela criação de um modelo mental que dê sentido a algo que à partida parece ininteligível.
Propriedade | Conhecimento no mundo | Conhecimento na cabeça |
Capacidade de recuperar informação | Sempre que ela seja visível ou audível | Não é rapidamente recuperável. Requer pesquisa na |
Aprendizagem | Não é necessária aprendizagem. A interpretação | Requer aprendizagem, que pode ser considerável. A |
Eficiência na utilização | Tendencialmente lenta na medida em que requer que se | Pode ser bastante eficiente |
Facilidade de utilização na primeira utilização | Alta | Baixa |
Estética | Pode ser inestética e deselegante, especialmente se | Nada necessita de ser visível, o que dá mais liberdade |
Publicado por vitorsilva às março 19, 2004 06:21 PM